Ronco, cansaço e alterações de memória e comportamento podem estar relacionados à Apneia Obstrutiva do Sono, condição que afeta adultos e crianças.
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Acordar cansado após uma noite inteira de sono, perder energia ao longo do dia ou perceber alterações na memória e no foco são sinais que nem sempre recebem atenção. O mesmo acontece com o ronco, muitas vezes tratado apenas como um incômodo. Esses sintomas, porém, podem estar relacionados à Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), caracterizada por episódios repetidos de obstrução da via aérea superior durante o sono. As interrupções provocam microdespertares e prejudicam a qualidade do descanso, com repercussões que podem se estender à saúde cardiovascular, metabólica e cognitiva.
A condição também pode afetar crianças, com manifestações diferentes das observadas nos adultos. Além da respiração bucal noturna e de possíveis impactos sobre o desenvolvimento craniofacial, o sono fragmentado pode estar associado a irritabilidade, hiperatividade, déficit de atenção, enurese noturna e queda no rendimento escolar. “Enquanto no adulto a sonolência e o cansaço costumam chamar atenção, na criança os sinais podem aparecer no comportamento e acabar sendo confundidos com outras questões. Por isso é importante investigar a qualidade do sono”, explica Angela Aiolfi, cirurgiã-dentista especialista em Cirurgia Bucomaxilofacial.
A Odontologia também integra a abordagem dos distúrbios respiratórios do sono, especialmente nos casos em que há indicação de dispositivos intraorais. A avaliação das estruturas craniofaciais, da mandíbula e da cavidade oral faz parte desse olhar, que pode envolver diferentes profissionais conforme as necessidades de cada paciente.
Entre as possibilidades de tratamento estão o CPAP, dispositivo que mantém a via aérea aberta por meio de pressão positiva, e, para pacientes com indicação, os dispositivos intraorais de avanço mandibular (DAM). Confeccionado individualmente, o aparelho promove o avanço controlado da mandíbula durante o sono, contribuindo para manter a passagem do ar. “Por ser pequeno, silencioso e de fácil transporte, o dispositivo intraoral pode proporcionar uma boa adaptação à rotina de muitos pacientes. Mas a indicação precisa considerar as características e necessidades de cada caso”, afirma Angela.
A adesão ao tratamento é um dos fatores importantes para seus resultados. Segundo a especialista, dificuldades de adaptação ao CPAP podem fazer com que alguns pacientes procurem outras possibilidades terapêuticas. Nesses casos, o dispositivo intraoral pode representar uma alternativa para pacientes adequadamente selecionados. “O objetivo não é apenas diminuir o ronco. É tratar uma condição que interfere na qualidade do sono e pode repercutir na saúde e na disposição durante o dia”, destaca.