Finanças e saúde mental: As dificuldades financeiras não se limitam ao orçamento.
FVcomunica!
Insegurança de renda, endividamento e dificuldade para pagar despesas básicas podem manter o organismo em estado contínuo de alerta, o que acaba favorecendo preocupação excessiva, irritabilidade, alterações do sono, dificuldade de concentração e sensação de perda de controle.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que a saúde mental é influenciada por diversos fatores e, em 2025, informou que mais de um bilhão de pessoas viviam com transtornos mentais e estimou que ansiedade e depressão custem, juntas, aproximadamente US$ 1 trilhão por ano à economia mundial, principalmente pela perda de produtividade. Esses dados revelam uma relação de mão dupla: as dificuldades econômicas podem agravar o sofrimento psíquico, enquanto o adoecimento mental pode comprometer o trabalho, a organização cotidiana e a capacidade de administrar decisões financeiras.
Dados da Associação Americana de Psiquiatria (APA) reforçam essa conexão. Em levantamento realizado em abril de 2026 com 2.201 adultos, 62% declararam se sentirem ansiosos em relação ao pagamento de contas e despesas. A economia preocupava 71% dos participantes e 48% afirmaram estar mais ansiosos do que no ano anterior. Para a médica psiquiatra Rafaela Pavan, por se tratar de uma pesquisa de opinião, esses números demonstram a frequência da preocupação, mas não permitem concluir, isoladamente, que as finanças tenham causado um transtorno psiquiátrico.
No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Serasa e pelo Instituto Opinion Box, em agosto de 2026, encontrou repercussões financeiras autorreferidas sobre a saúde mental em 89% dos 1.140 entrevistados. Entre os efeitos mencionados, um dos mais afetados era a piora do sono, em 71% dos entrevistados; alterações do humor, em 53%; prejuízo da autoestima, em 50%; e instabilidade emocional, em 47%. Além disso, 62% disseram já ter deixado de procurar ajuda psicológica por falta de recursos.
“É importante diferenciar uma reação compreensível diante de uma situação econômica difícil de um transtorno mental. Entretanto, quando os sintomas se intensificam e acumulam, é recomendável buscar uma avaliação profissional”, alerta Dra. Rafaela.
Cuidar da saúde financeira e cuidar da saúde mental não são tarefas concorrentes. Muitas vezes, o melhor caminho envolve as duas frentes: organizar as dívidas, buscar orientação financeira e, simultaneamente, acolher e tratar o sofrimento psíquico. “Pedir ajuda não elimina imediatamente as contas, mas pode devolver clareza e capacidade para enfrentá-las”, orienta.
Por isso, sempre é importante lembrar: não existe saúde sem saúde mental. Como você está cuidando da sua?