Ainda recuperando-se da pandemia de Covid-19, um novo sinal de alerta se acende
FVcomunica!
Ainda recuperando-se da pandemia de Covid-19, um novo sinal de alerta se acende. Em julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a Varíola dos Macacos – causada pelo vírus Monkeypox – como uma emergência global de saúde. Até a conclusão desta edição, eram 65,4 mil casos em 106 países. O Brasil registrava 7,4 mil casos – 2 deles em Chapecó – e 2 óbitos. A FV conversou com o médico infectologista Hugo Noal para entender melhor esta nova doença.
Flash Vip: O que sabemos até agora sobre esta doença?
Noal: Este é um vírus já conhecido desde a década de 1950. Alguns países da África Central e Ocidental já tinham surtos dessa infecção por lá, mas atingiu outras pessoas e se espalhou pelo mundo. É uma doença geralmente benigna, os óbitos registrados são de pessoas com alguma doença grave no sistema imunológico, mas ela ainda nos preocupa pela fácil transmissão. O nosso desafio atualmente é conseguir mecanismos para esclarecer a população sobre a doença, os sinais e sintomas. Ao mesmo tempo, o país está adquirindo vacinas para bloquear a disseminação, principalmente para grupos prioritários, como profissionais de saúde que atendem os pacientes suspeitos e os que trabalham em laboratório com coleta de material para diagnóstico, para que não tenhamos uma disseminação em massa.
A que sinais devemos ficar alertas?
A varíola dos macacos causa principalmente lesões de pele, geralmente erupções cutâneas profundas e bem delimitadas, e podem se desenvolver em qualquer parte do corpo, incluindo a região genital. Como sintomas gerais, especialmente no início da infecção, podendo apresentar também dor de cabeça, febre, calafrios, dor de garganta, mal-estar, cansaço e aumento das ínguas do corpo no pescoço, axilas e próximo às virilhas.
Como esse vírus é transmitido e o que se pode fazer para prevenir a contaminação?
A transmissão do vírus monkeypox acontece por contato com sangue, fluidos corporais, lesões de pele e mucosas de animais e seres humanos infectados. A transmissão entre pessoas ocorre, prioritariamente, pelo contato pessoal com secreções respiratórias – igual a gripe e a Covid-19 –, lesões e até mesmo objetos contaminados. As pessoas infectadas são colocadas em isolamento para evitar o contato e transmissão a partir das secreções, até as lesões estarem completamente secas durante o período em que é realizado acompanhamento médico, que pode durar algumas semanas até a cura.
Na década de 1970, a OMS considerou erradicada a varíola humana, causada por um vírus semelhante. Por que voltamos a ver casos deste tipo de doença subirem novamente, décadas depois?
Justamente pela suscetibilidade da população a esses vírus, que geralmente têm fácil transmissão entre pessoas, como o da Covid-19, que era transmitido principalmente pelas vias respiratórias. Hoje, pela comodidade de deslocamento das pessoas entre países, a transmissão acontece facilmente em regiões onde esses vírus não estão presentes. O nosso desafio é identificar e poder bloquear esses agentes infecciosos para que não haja uma disseminação em massa, como aconteceu com o novo coronavírus.
Devemos nos preocupar com a possibilidade de vivermos um cenário semelhante ao da pandemia de Covid-19? Que erros podem ter sido cometidos em relação a esse vírus que não devemos repetir com o monkeypox?
Muito em breve teremos vacinas disponibilizadas para toda a população para o bloqueio do monkeypox. Mas até lá, nós dependemos do processo de investigação dos casos suspeitos, do conhecimento da capacidade e dos modos de transmissão, e do isolamento das pessoas identificadas com o vírus. A nossa preocupação é que a população não tenha adesão às vacinas e à recomendação do isolamento para os casos sob acompanhamento. Com a Covid-19, campanhas antivacinas cresceram muito, principalmente entre grupos que disseminam pânico com supostos efeitos colaterais. Isso é uma medida muito perigosa. Precisamos aderir às medidas indicadas para a proteção da nossa saúde e da nossa família. Como é uma doença que geralmente cursa de forma benigna, nossa maior preocupação é, por exemplo, a falta à escola, ao trabalho e o desconforto que ela causa. Entre as pessoas que têm alguma comorbidade, há a preocupação com o risco de morte ou sequelas. Não faz sentido ter conhecimento das medidas e não se voltar para a aplicação delas pelo bem social e comunitário. Depende do comportamento humano para que haja controle da infecção.