Uma conversa com com Clarice Bressiani, fundadora da Nova Consultoria em Viagens
Carol Bonamigo
Quando falamos em viagens, hoje, mais do que nunca, as pessoas buscam por experiências, não apenas destinos. Elas querem viver, sentir, se conectar e se transformar. O chamado turismo de experiência é a grande tendência do setor, e os números comprovam: ele já é o responsável por aproximadamente 60% do faturamento dos pequenos negócios da indústria do turismo no Brasil, de acordo com uma pesquisa do Sebrae e do TRVL Lab, laboratório de inteligência de mercado em viagens, publicada em 2024. Segundo o estudo, 86% dos viajantes afirmam que as experiências são o aspecto mais importante de uma viagem. A FV conversou sobre o direcionamento deste mercado com Clarice Bressiani, fundadora da Nova Consultoria em Viagens, empresa que há 16 anos transforma sonhos em experiências inesquecíveis e que tem no DNA a personalização, a curadoria e o olhar humano.
Flash Vip: Você tem vasta vivência na área do turismo e receptivo, mais de 20 anos, e foi presidente do Chapecó Convention & Visitors Bureau por anos. Além disso, através da Nova, acompanhou também a revolução no turismo. O que você apontaria como as principais mudanças no comportamento dos viajantes, que vocês buscam suprir?
Clarice Bressiani: A gente percebe que o viajante está mais informado, e não apenas pela internet e o que aparece diariamente na nossa tela, mas as pessoas buscam o sentido nessa experiência. Ou elas querem conectar com o aprendizado, ou querem se reconectar, elas querem fazer dessa experiência de viagem algo a mais. Não é fazer as malas, ir à praia, passar 15 dias off, voltar e dizer que está pronto para seguir o resto do ano. A ideia de fato é: o que eu ganho como pessoa, como profissional, como ser humano com essa experiência de viagem? Então as pessoas têm buscado investir em viagens que as transformem de algum modo e tragam o próximo degrau dessa experiência como viajante. Porque quando você começa, não tem mais como parar, você sempre quer algo novo, e esse algo novo pode estar perto de nós.
FV: Por mais que tenhamos a facilidade de ir até a internet procurar informações ou seguir influenciadores de viagens, tem coisas que ela não nos traz e aí entra a curadoria que uma agência pode fazer por nós, não é mesmo?
CB: Sim, e cada vez mais tenho exemplos disso. Digo que a minha curadoria e know-how ajudam muito a entender o que essa família, esse casal ou viajante individual busca de experiência. Precisamos ter o olhar pensando que aquele investimento financeiro deve ter o melhor aproveitamento possível, porque a Nova quer que esse passageiro volte e viva outras experiências conosco, mas também queremos que seja algo que o satisfaça internamente, cubra algo que às vezes a pessoa nem saiba que precisa. Entregar algo além da experiência que a pessoa já buscava viver. Então, a curadoria vai muito além de buscar uma sugestão de roteiro na internet, é o olhar humano de fato para entender a importância do momento; é você, enquanto profissional, ter o cuidado e ver além do negócio, mas o que você vai entregar de melhor para o seu cliente. O nosso ramo é muito volátil. Uma pandemia, uma oscilação no câmbio, uma mudança de governo, uma ameaça de guerra, uma situação climática, tudo isso pode influenciar em uma viagem. Então é o vínculo que o cliente terá conosco que vai construir a nossa confiança, até mesmo para dizermos para ele que não, aquele não é o melhor momento para viajar.
FV: No turismo, enquanto negócio, o que você vê de grandes diferenças que aconteceram após a pandemia?
CB: Muita coisa. A gente percebeu que as empresas que conseguiram segurar os seus times têm uma clara diferença, tanto do lado do cliente quanto do fornecedor, principalmente no quesito de manter fidelidade. Agora, no quesito comportamento do turista, mudou muito a pessoa querer significado para a sua experiência. Às vezes, a sua experiência não está em um destino no exterior, mas aqui mesmo no Brasil. Vivemos em um país continental, com diferenças geográficas e culturais, com diferenças de clima absurdas e fantásticas. Então, uma experiência aqui mesmo no Brasil pode te tirar da sua realidade. Três dias que você passa fora podem dar um reset naquela loucura do dia a dia. Pós-pandemia as pessoas têm buscado fazer viagens mais curtas, mas mais viagens dentro do ano. E neste ano de 2026, teremos excelentes oportunidades de viagens mais curtas, pelo nosso calendário de feriados
FV: A Nova está agora com escritório em Curitiba, na capital paranaense. Como se deu essa transição?
CB: Foi em função até da pandemia, estávamos vivendo o home office e surgiu a oportunidade, isso em 2021. Foi muito bom para a Nova, Curitiba é um ótimo mercado e nos dá uma facilidade logística maior. A matriz ainda existe em Chapecó, temos orgulho em ser daqui, mas estar lá nos abriu muitas oportunidades. Percebemos que as pessoas gostam e se adaptaram ao online, mas o contato presencial é importante para criar uma conexão pessoal.
FV: E quando falamos de missões empresariais internacionais, que são um dos carros- -chefes da Nova, cada viagem tem o propósito de ampliar horizontes, promover conexões e proporcionar conhecimento prático, sempre unindo o desenvolvimento profissional com a vivência cultural e pessoal. O que muda na vida de um empresário depois de uma missão internacional?
CB: Nas missões empresariais, temos uma semana inteira de imersão, com seminários, visitas técnicas com gestores de grandes empresas — como Apple, Harley, Orlando Magic — que apresentam sobre gestão de pessoas e atendimento ao cliente e compartilham suas experiências. Tem tradução simultânea e é um grande momento de troca. É beber direto da fonte e falar com quem vive a dor de dono do negócio, quem está ali no dia a dia da gestão, e você aprende muito mais do que estar em uma sala de aula. É de fato uma experiência transformadora. Temos desde empresas que fecham pacotes para seus times inteiros até pacotes abertos, onde você convive com pessoas de outros mercados e outros estados — e essa troca é muito rica.