papo cabeça
01/04/2024

Mudanças no trânsito

Sugestões para o transporte coletivo, ajustes no trânsito, implantação de vias de mão única e fechamentos de canteiros centrais para evitar cruzamentos foram levadas em consideração

AUTORA

FVcomunica!

Juntamente com o crescimento da população chapecoense, a frota aumentou nos últimos anos, chegando a 210 mil veículos, e com isso verificou-se a necessidade de um estudo para a mobilidade urbana no município. Sugestões para o transporte coletivo, ajustes no trânsito, implantação de vias de mão única e fechamentos de canteiros centrais para evitar cruzamentos foram levadas em consideração. Com o objetivo de absorver o grande número de veículos, ciclistas, pedestres e transporte coletivo, o levantamento e diagnóstico resultou no novo plano de mobilidade urbana, que começou a ser implementado em janeiro deste ano. A FV conversou com o secretário municipal de desenvolvimento sustentável e obras estruturantes, Valmor Scolari, sobre as mudanças realizadas e previstas para o trânsito de Chapecó.


Flash Vip: A população de Chapecó cresceu quase 40% na última década, de acordo com o último censo do IBGE. Consequentemente, a frota aumentou consideravelmente. Com isso, mudanças se fizeram necessárias para garantir um trânsito mais seguro e fluido. Quais as principais mudanças realizadas, nesses primeiros três meses do ano, no Plano de Mobilidade Urbana?

Valmor Scolari: Nestes primeiros meses do ano realizamos intervenções em todos os cruzamentos semaforizados no município de Chapecó, adaptando os tempos semafóricos com os horários de pico. Em paralelo, fizemos ajustes nas permissões dos movimentos em mais de 20 cruzamentos, fazendo com que os tempos de verde ficassem maiores nas principais avenidas, trazendo mais fluidez para o trânsito de veículos, sobretudo nos horários de pico. Também estamos dando continuidade ao fechamento de canteiros nas principais avenidas, medida que reduz o número de acidentes e aumenta o escoamento das vias. Essas são soluções rápidas, baratas e eficazes para a mobilidade urbana de Chapecó, que urge por soluções de curto prazo. E já estamos colhendo os resultados, observando a redução de congestionamentos nos horários de pico.


FV: Das medidas previstas a médio e longo prazo, o que podemos ainda esperar das mudanças a serem implantadas para garantir a mobilidade urbana mais eficiente no município? Em quanto tempo estipula-se que as mudanças estarão concluídas na totalidade?
VS: Pretendemos implantar semáforos inteligentes em alguns cruzamentos, que adaptam os tempos conforme o fluxo de veículos, ou seja, que trabalham de forma dinâmica. Em relação aos outros sistemas modais, estamos avaliando a construção de um terminal na Efapi para o transporte coletivo, possibilitando maior integração entre as linhas e facilitando o transbordo para os usuários. Junto a isso, estamos ampliando a malha cicloviária em Chapecó, recentemente sinalizamos a ciclofaixa no Contorno Viário Extremo Oeste e já está em estudo a implantação em novos trechos. Por fim, as obras de infraestrutura viária continuarão a todo o vapor na cidade, a exemplo da pavimentação em diversas vias, alargamento e obras de arte em fase de projeto e execução.

FV: Sabemos que muito da segurança na prática deve-se à atenção e educação dos próprios motoristas. Nestes primeiros meses, foram detectados problemas com a adaptação das novas mudanças, como aumento de colisões e/ ou acidentes nas vias públicas?
VS: Em qualquer contexto, mudanças geram transtornos e desconforto. Não notamos aumento de acidentes, pelo contrário. O fechamento de canteiros, eventualmente, pode fazer com que os condutores tenham que percorrer uma rota um pouco maior para o seu destino. Porém, canteiros abertos significam conflitos no espaço de passagem dos veículos, e quanto mais conflitos possíveis, mais acidentes. Portanto, nestes pontos que realizamos o fechamento, observamos queda no número de acidentes. Evidentemente que estamos sempre monitorando as intervenções, fazendo experimentos, testando, para validar os resultados que esperamos na prática.

FV: O senhor avalia, já nestes primeiros meses de implementações, uma mudança positiva na fluidez do trânsito, bem como na educação do motorista?
VS: Sem dúvida alguma. A fluidez aumentou consideravelmente, isso pode ser comprovado por qualquer
pessoa que passe de carro pelos cruzamentos que, até janeiro, operavam em quatro tempos, e tiveram redução para três tempos. Antes, o condutor chegava nos cruzamentos e esperava dois ou três ciclos para passar pelo semáforo. Isso se tornou comum, embora muito negativo. Após as alterações, na maior parte desses cruzamentos, toda a fila de veículos tem escoado quando abre o tempo de verde. Alguns ajustes ainda estão sendo implementados para melhorar mais os resultados, mas nosso objetivo vem sendo cumprido com êxito.

FV: De acordo com o Detran, Chapecó está entre as quatro cidades com maior número de infrações de trânsito de Santa Catarina, nos últimos dois anos – sendo a 2ª em número de irregularidades relacionadas à velocidade. Além das melhorias esperadas para a mobilidade no trânsito, essas mudanças irão ajudar a conter e diminuir essas estatísticas?
VS: Sim, esperamos que haja maior consciência de que o trânsito é feito de pessoas, portanto, quando reclamamos do trânsito, na verdade estamos reclamando de nós mesmos. Os radares e lombadas eletrônicas não multam a todos, somente os infratores, que são autuados por não respeitarem a sinalização. Em Chapecó, a sinalização do trânsito é excelente, mas estamos continuamente trabalhando para renovar e reforçar a sinalização, fazendo com que isso não seja motivo para o cometimento de infrações.

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