Projeto catarinense premiado no mais importante encontro de impulsionamento global do cinema brasileiro garante passagem direta para o Festival de Málaga, na Espanha
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É de Chapecó, Oeste de Santa Catarina, a equipe de cineastas catarinenses premiados no Brasil CineMundi – o mais importante encontro de coprodução do cinema brasileiro. Em uma conquista histórica para o audiovisual da região Oeste, o projeto de longa-metragem “Kiki – Uma Ponte Entre Mundos”, produzido pela Enseada Filmes, foi vencedor do Prêmio MAFF (Málaga Festival Fund & Co-production Event) / Projeto Paradiso durante a 17ª edição do evento.
O anúncio encerrou a programação do encontro, no último domingo, 28, em Belo Horizonte/MG, afirmando o protagonismo de Santa Catarina no cenário do audiovisual independente brasileiro e internacional. Além do projeto chapecoense, foram premiados filmes de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Brasília e Rio Grande do Sul. A obra conta com a direção de Dario Aldana e Alexandre Werá e produção de Sirli Freitas.

Considerado o maior e mais importante encontro de mercado e coprodução internacional do cinema brasileiro, o Brasil CineMundi é realizado anualmente em Belo Horizonte pela Universo Produção, em paralelo à CineBH - Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte.
O evento atua como uma vitrine de aceleração global, reunindo programadores dos principais festivais do mundo, agentes de vendas, distribuidores e fundos de financiamento, com o objetivo de impulsionar filmes brasileiros em desenvolvimento, pós-produção ou roteirização.
Ao receber o Prêmio MAFF / Projeto Paradiso, Kiki – Uma Ponte Entre Mundos assegurou uma vaga direta de mercado no prestigiado Málaga Festival Fund & Co-production Event (MAFF), que ocorre na Espanha durante o Festival de Cinema de Málaga, em março de 2027.
Além da participação oficial no fórum espanhol, a equipe foi contemplada com uma bolsa de apoio financeiro e consultoria executiva do Projeto Paradiso — uma das mais influentes iniciativas de apoio aos talentos do audiovisual no Brasil. O incentivo cobrirá os custos de internacionalização do projeto e viabilizará reuniões estratégicas com coprodutores da Europa e da América Latina.
A vitória de “Kiki” é considerada um divisor de águas no cinema independente produzido no interior, pois garante acesso direto a fundos europeus e consolida a entrada na rota de coproduções internacionais de alto nível. Além disso, coloca em evidência a diversidade de narrativas e a potência técnica dos profissionais do Estado. A conquista demonstra a capacidade de produtores e cineastas do interior, mesmo não sendo prioridades na distribuição de recursos e políticas públicas estaduais, em estruturar alianças internacionais e acessar parcerias globais.
"Fazer cinema no Brasil não é fácil, todos já estamos nos repetindo quando falamos isso, ainda mais quando estamos no interior, longe dos grandes centros urbanos e da nossa própria capital do Estado, e por isso receber esse reconhecimento no CineMundi impulsiona anos de trabalho, pesquisa, escuta e dedicação no desenvolvimento de uma narrativa inteiramente nossa, feita aqui no nosso lugar. Representar o interior em um espaço de mercado internacional como esse abre portas não apenas para o nosso filme, mas para todo o ecossistema cultural do Estado", destacou a produtora Sirli Freitas.
Para os diretores, a conquista reforça o compromisso de descentralizar o olhar cinematográfico. “Este prêmio é uma ponte real entre o nosso território e o mundo. Estar no MAFF em Málaga pelo Projeto Paradiso garante que a nossa história seja contada, mostrando outros olhares para o nosso estado e com a estrutura e o alcance global que ela merece”, enfatizam Dario Aldana e Alexandre Werá.
Ambientado em territórios ancestrais e permeado por realismo e cosmovisão indígena, o filme explora, a partir do realismo fantástico, os ritos, a memória e as passagens entre dimensões espirituais e materiais a partir da vivência indígena. A trama conta a história de Kiki, uma adolescente que vive em uma comunidade originária, mas está em crise com sua cultura ancestral, e apesar de ter nascido para substituir sua mãe como curandeira da comunidade, quer prestar o vestibular para estudar e viver na cidade grande. Para conseguir financiar esse sonho, Kiki começa a vender a eternidade das pessoas do local e agora terá que ir ao mundo dos mortos falar com seus espíritos e reverter essa maldição. O projeto traz um novo olhar para os povos indígenas, moderno, contemporâneo e conectado, com um filme adolescente e para todas as idades.