Uma mentira monumental ou uma verdade assombrosa: o caso de abdução reconhecido internacionalmente.
Fernando Boppré
Eu defendo que leiamos os clássicos e os contemporâneos. Além disso, que possamos dar atenção aos livros que não possuem valor literário incensado pela crítica ou pelas premiações. Em Chapecó, temos um caso assim. Um livro escrito por um sujeito que tinha uma história tão boa, mas tão boa, que pouco importa o modo como ele a escreveu. A narrativa inteira é fabulosa, intergaláctica.
Os antigos vão se lembrar do caso Tasca. Era noite de 14 de dezembro de 1983. Antônio Nelso Tasca trafegava pela BR-282, na altura do atual município de Cordilheira Alta, quando foi raptado. Estava nas proximidades da indústria da Coca-Cola, a três quilômetros da sede da Colônia Cella. Ficou desaparecido das dez da noite até às seis horas da manhã do dia 15. A família acionou a polícia, organizou buscas. O veículo foi encontrado às margens da rodovia, abandonado, uma Brasília modelo 1981.
Em seu livro — publicado originalmente em 1999, em edição que rapidamente se esgotou; republicado em 2007, no ano da morte de Tasca — ele nos conta a integridade do episódio que resultou no sequestro incomum. Após sair da pista, relata que visualizou uma espécie de ônibus. Para sua surpresa, pairava a um metro de altura do chão. Ao chegar perto, foi atingido por calor e radiação, voltando para dentro do carro para se proteger. Então, uma misteriosa esteira de luz se formou e o puxou para dentro daquilo que logo perceberia se tratar de uma nave.
Tasca foi colocado em uma pequena sala retangular de oito metros quadrados em que as paredes, o piso e o teto pareciam polidos, sem cantos aparentes ou ângulos retos. Num primeiro momento, tudo era escuridão, silêncio e imobilidade. Ele começou a ter a sensação de que havia sido enterrado vivo. Debateu-se para demonstrar que não estava morto. Eis que se abriu uma porta de arco elevado, sem qualquer ruído. Adentrou ao ambiente uma pequena mulher, de aproximadamente um metro e vinte de altura. Logo percebeu que a figura feminina não era deste mundo, visto que se comunicava por telepatia. Seu nome era Cabalá, vinda do planeta Agali. Estava ali por uma missão: transmitir uma mensagem urgente para a humanidade.
Em sua memória, Antônio Nelso Tasca gravou, para o seu próprio espanto, palavra por palavra da mensagem. Toda ela em tom de advertência. Em síntese, Cabalá clamava pelo desarmamento nuclear. Em caso de guerra nuclear, segundo ela, o eixo da Terra poderá ser alterado, o que colocará em risco a humanidade. Além disso, causará graves distúrbios em mundos vizinhos e outras dimensões ainda desconhecidas dos humanos. Cabalá exortava ainda pelo fim do imperialismo e das desigualdades. Se ela aparecesse hoje em dia, seria uma alienígena de esquerda. É o que se deduz da leitura da mensagem na íntegra, registrada por Tasca em sua publicação.
O livro Um homem marcado por ETS é hoje um dos principais casos de estudo da ufologia brasileira. Um tanto raro, merece uma reedição. Não interessa exatamente se estamos diante de uma mentira monumental ou de uma verdade assombrosa. Se for uma invencionice do seu Tasca, gostaria de parabenizá-lo, se vivo fosse. Porque sua capacidade de criação ficcional era excepcional. Os detalhes e a força de sua história o tornaram um abduzido reconhecido em âmbito nacional e internacional. O que importa é a repercussão social do caso. Tasca foi desacreditado por muitos e o evento da abdução mudou para sempre a sua vida. De todo modo, ele nos deixou como legado uma história que enlaça o terreno e o extraterreno, o humano e o divino.