Sociedade
05/10/2026

Um lugar para estar

Aos 15 anos, o Pátio Shopping absorve as transformações do consumo e reafirma um papel que vai além das compras para ser espaço de encontros, experiências e convivência para Chapecó e região.

AUTORA

Carol Bonamigo

Pátio. A palavra escolhida para batizar o primeiro shopping center de Chapecó já carregava uma intenção. Antes de identificar um empreendimento, pátio é espaço. Lugar de circulação, encontro e convivência. No projeto inaugurado em 5 de outubro de 2011, o nome foi pensado como indicativo de relacionamento e interatividade — um ambiente onde adultos, jovens, crianças e famílias pudessem dividir muito mais do que compras.

De lá para cá, Chapecó cresceu, o Pátio expandiu e a maneira como consumimos se transformou profundamente. Em 2011, comprar pela internet já era realidade, mas o varejo digital ocupava um espaço muito diferente na vida cotidiana. Hoje, carregamos praticamente um shopping inteiro no bolso.

E se comprar deixou de depender de deslocamento, por que continuamos nos deslocando? A resposta pode estar naquilo que não cabe em uma tela: ir ao cinema, encontrar alguém para jantar, levar as crianças para passear, tomar um café sem pressa ou simplesmente sair de casa sem ter nada na lista de compras.

Shopping centers continuam sendo espaços comerciais, mas também se consolidaram como lugares de convívio urbano, onde o consumo divide espaço com lazer, gastronomia, serviços e encontros. Para Tatiana Kerkhoff, gerente geral do Pátio Shopping, essa mudança alterou a própria maneira de pensar o empreendimento. “Há 15 anos, quando o Pátio inaugurou, ele era muito mais associado ao consumo. Hoje, a gente precisa entender que o consumidor pode comprar praticamente de tudo, de qualquer lugar, a qualquer momento. Então, para nós, o desafio é oferecer aquilo que ele não consegue viver sozinho ou em casa ou no celular. O consumidor mudou e o shopping precisou deixar de ser apenas um lugar para comprar para ser um lugar para viver”.


Quando tudo era novidade

Para entender essa mudança, é preciso voltar à Chapecó de 2011. Instalar um empreendimento daquele porte fora do eixo comercial tradicional da Avenida Getúlio Vargas não era uma decisão óbvia. Cristiane Andretta, gerente de Marketing do Pátio Shopping, lembra que o projeto nasceu de uma aposta na capacidade da cidade comportar um shopping center e criar um novo destino para a região. Enquanto parte do público já conhecia esse modelo em viagens aos grandes centros, para outra era o primeiro contato com uma estrutura daquela dimensão.

E algumas das lembranças hoje chegam a ser curiosas. “Foi ensinar ao público uma nova forma de consumir, de resolver a vida em um só lugar e também de vivenciar tecnologias e estruturas que, naquele momento, ainda não faziam parte do seu cotidiano, como portas automáticas, torneiras e papeleiras inteligentes, escadas rolantes, entre tantas outras novidades. Hoje, muitas dessas coisas parecem simples e até corriqueiras, mas, naquele momento, tudo era novidade”, recorda Cristiane.


Crescendo juntos

Quando o Pátio ainda era uma aposta, o convite para fazer parte dele chegou a cerca de 500 quilômetros de Chapecó. Moisés Russi conhecia os empresários ligados ao empreendimento quando recebeu a proposta de levar seu negócio de Joinville para uma cidade apresentada como “em plena expansão”. Aceitou. “Tudo o que foi prometido aconteceu, e cá estamos até hoje”, resume.

Uma década e meia depois, a Mania Games continua no Pátio, mas não no mesmo lugar nem com o mesmo tamanho. Começou ao lado do cinema, mudou-se para a frente da praça de alimentação e, com a expansão mais recente, chegou a mil metros quadrados e a um formato próximo de um pequeno parque de diversões.

“A gente vinha com uma cultura de outras cidades e de grandes centros, e entender o regionalismo do município, o que realmente o chapecoense gosta e quer, essa é a questão. E fomos aprendendo, nessa direção que as águas foram nos levando, a olhar para essas nuances. E assim implementamos coisas e crescendo juntos”, afirma o empresário, que hoje divide a gestão do Grupo Divertirama, do qual a Mania Games faz parte, com os filhos Caio Augusto e Matheus Henrique.

A nova Mania Games ganhou roda-gigante, carrinho de bate-bate e carrossel. A aposta poderia parecer curiosa em um tempo dominado por telas, videogames cada vez mais sofisticados e entretenimento disponível sob demanda. Para Moisés, é justamente esse o ponto. “Os brinquedos coletivos, onde essa relação pai e filho é mais próxima, são muito importantes para formar memórias, na medida que fogem dos eletrônicos. Hoje, em todas as casas tem um videogame. O brinquedo de parque vem trazer algo que já está até fora de moda, que é a proximidade entre as pessoas. Um momento específico onde não existe videogame, não existe telefone, não existe o digital, mas existe presença”.

A ideia encontra eco na forma como o próprio shopping compreende o que significa proporcionar uma experiência. “Experiência é tudo aquilo que fica na memória. Pode ser uma exposição que encantou uma criança, um jantar em família, uma foto em um local especial, um evento que reuniu os amigos, ou simplesmente uma tarde agradável juntos”, explica Tatiana.

E algumas dessas memórias se confundem com muitos “primeiros”. “Sabemos que muitos tiveram as suas primeiras experiências aqui no Pátio Shopping. A primeira vez que foi ao cinema, a primeira vez que comeu um McDonald’s. Não é sobre fazer algo grandioso o tempo todo, mas criar momentos que tenham significado para as pessoas”.


Da rotina ao destino

Mas a relação com o Pátio não termina nos limites do município, ela muda conforme a distância. Para uma parte do público, ir ao shopping faz parte do cotidiano; para outra, envolve pegar a estrada e escolher Chapecó como destino.

“O consumidor chapecoense tem uma relação mais próxima com o Pátio porque faz parte da rotina da cidade. Percebemos a frequência maior e quantidade de vezes que ele vem ao shopping. Já quem é de outras cidades, muitas vezes transforma a visita ao shopping em um programa”, diferencia Tatiana.

Para esse público, a visita costuma envolver mais planejamento e combinar compras, alimentação e lazer. “Isso faz com que tenhamos uma responsabilidade ainda maior, como shopping regional, então precisamos ser relevantes não só para quem está perto, mas para quem escolhe vir até nós”, completa.


A praça continua cheia

A tecnologia encurtou distâncias, multiplicou escolhas e colocou produtos de praticamente qualquer lugar ao alcance de alguns toques. Ainda assim, continuamos procurando espaços físicos para dividir tempo e presença.

“Comprar pela internet traz facilidade, praticidade e conveniência, mas existem coisas que o digital não consegue substituir”, avalia Cristiane. “Sempre vai existir o desejo de estar junto, encontrar pessoas, viver uma experiência diferente, conhecer algo novo, levar os filhos para um passeio, participar de um evento ou simplesmente tomar um café e aproveitar o momento”.

Não se trata de uma disputa entre físico e digital. Enquanto a maneira de comprar mudou, os espaços encontraram novas razões para continuar sendo escolhidos. O comércio permanece, mas divide protagonismo com aquilo que não pode ser colocado no carrinho e entregue na porta de casa.

“Se daqui a alguns anos as pessoas continuarem dizendo ‘vamos ao Pátio’, não apenas porque precisam comprar alguma coisa, mas porque querem estar lá, acho que estaremos cumprindo muito bem o nosso papel”, conclui Tatiana.

E nós continuaremos saindo de casa.


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