cultura
21/12/2021

Prepare-se para o multiverso

O Facebook anuncia que sua nova marca se chamará Meta!

AUTOR

Hilario Junior

O Facebook anuncia que sua nova marca se chamará Meta em referência a criação de um “metaverso”. O universo cinematográfico da Marvel dá sinais que assumirá essa premissa nas suas produções. Os games estão cada vez maiores e mais imersivos, com óculos 3D. Sabrina Sato está lançando sua virtual influencer chamada Satiko. O que tudo isso tem a ver e o que é esse tal de multi, metaverso ou universo paralelo?


O que parece ser uma obra de ficção dos quadrinhos acerca da possibilidade de universos paralelos coexistindo é fundamentado por físicos, como por exemplo a Teoria das Cordas. Uma mistura de física quântica com a Teoria da Relatividade Geral, ela pressupõe que vivemos numa realidade em que tudo é formado por cordas muito pequenas, imperceptíveis e vibrantes. As cordas conectariam dimensões distintas, das quais, até agora reconhecemos três no espaço (3D) e uma no tempo (a quarta dimensão).

Mas a ideia por trás deste texto não é aprofundar no conceito de universos paralelos e como eles funcionam, mas em porque em nossa realidade aparente vêm surgindo iniciativas que virtualizam a nossa realidade em função de um mundo diferente. A ideia por trás de universos paralelos pressupõe que cada nova escolha teria potencial de abrir um novo universo e nós, humanos, sempre fomos seduzidos pela ideia de saber “o que teria acontecido se...”. Vaguear a imaginação especulando o que seria da nossa vida no tempo atual com escolhas feitas de forma diferente não é uma atividade nova, mas as tecnologias digitais estão tornando possível projetar essas histórias (ou inventá-las).

Pensar numa realidade paralela, no entanto, é acompanhada pela ideia de que na nova realidade consertamos nossos erros de uma forma utópica e, por que não, fantasiosa. O fato é que os ambientes digitais estão se qualificando para interagirmos em realidades paralelas e não apenas observá-las passivamente por um entretenimento específico, como os quadrinhos e o cinema, por exemplo. Contudo, podemos e devemos ponderar no âmago disso tudo o que nos faz querer abdicar de uma realidade na qual nossas escolhas já estão feitas (e nos definem) em função de um mundo novo, plástico e, supostamente, perfeito. 

O que vemos até então deste universo da empresa de Mark Zuckerberg está longe de ser um mundo perfeito. Muito pelo contrário, é um mundo em que a verdade é relativa e ficcional, e as pessoas acreditam naquilo que for mais conveniente às suas pretensões. Não passa, portanto, de um universo de sombras e está longe de ser um metaverso, de fato. 

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