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21/12/2021

Perder urina não é normal

“Às vezes, o xixi me escapa, mas também, com a minha idade, isso é normal, né?”

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FVcomunica!

Um pouco tímida, confidenciou a senhora de 67 anos, mãe de três filhos e avó de cinco adoráveis crianças. “Não”, respondeu o médico candidamente, “perder urina não é normal, para nenhuma pessoa, em nenhuma faixa etária. E a boa notícia é que a senhora não precisa se conformar com isso”.

Esta condição é denominada de “incontinência urinária”, que é a perda involuntária de urina. Apesar de ser realmente muito frequente, e que pode acometer mulheres e também homens de todas as idades, não pode ser considerado um evento normal. Além da questão médica, a incontinência urinária pode comprometer a qualidade de vida e a autoestima das pessoas.

Conforme explica o médico urologista Marcelo Zeni, de maneira geral, a incontinência urinária tem causas variadas, e é mais comum entre as mulheres do que entre os homens. “A idade é o principal fator para o desenvolvimento deste problema e outros fatores que aumentam o risco de apresentar incontinência urinária são o diabetes, a obesidade e a presença de doenças neurológicas. Nas mulheres, a menopausa e a história de várias gestações parecem também ter importância. Em homens, a incontinência urinária está associada também ao envelhecimento natural, a problemas da próstata ou, em alguns casos, de pacientes submetidos a cirurgias para tratamento do câncer de próstata”, afirma.

De acordo com o médico, algumas barreiras são enfrentadas quando falamos deste assunto; por vezes, as pessoas se preocupam de falar com seu médico ou procurar o urologista, ou tem o conceito de que é normal perder urina após uma certa idade, ou eventualmente os próprios médicos não dão abertura para que os pacientes conversem sobre isso. Ou ainda há o receio de que seja necessário sempre fazer cirurgias para tratar.

Mas o urologista garante: não há motivos para vergonha ou medo. “As alternativas de tratamento são várias, e dependem da causa e gravidade do problema, levando-se sempre em consideração a preferência e a opinião do paciente. Podemos tentar medidas simples (mas não menos importantes), baseadas em mudanças de estilo de vida como evitar excesso de líquidos, realizar micções periódicas, tratar intestino preso e outros problemas, como diabetes e obesidade. A fisioterapia especializada para o assoalho pélvico e bexiga é uma excelente alternativa e uma grande aliada. Existem também medicamentos com ótima eficácia”, relata Zeni.

Em casos mais complexos ou que não tiveram boa resposta ao tratamento inicial, o especialista diz haver alternativas modernas e executadas através de cirurgias minimamente invasivas, isto é, de baixo risco e rápida recuperação. “Podemos recorrer à colocação de fina faixa sob a uretra (chamada cirurgia de sling), à aplicação da toxina botulínica na bexiga e até mesmo ao implante de uma espécie de marcapasso da bexiga (neuromodulador). Temos ainda o esfíncter artificial (solução impressionante e revolucionária), que pode ser ótima opção, especialmente em homens que estão perdendo urina depois de uma cirurgia da próstata”, finaliza Marcelo Zeni.


Dr. Marcelo Zeni
Urologista CRM/SC 13359 / RQE 9899
Avenida General Osório, 273-D / Edifício General Osório, Sala 601, Centro / Chapecó
49 3316.1771

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