editorial
05/10/2026

O que fica enquanto tudo muda

Editorial #116

AUTORA

Carol Bonamigo

Há algo curioso sobre aniversários, eles contam o tempo, mas quase nunca falam apenas sobre ele. Quando olhamos para trás, os números servem mais como pontos de referência para perceber tudo o que aconteceu entre um marco e outro.

Esta edição chega às suas mãos na primavera em que a Flash Vip completa 23 anos. E, por coincidência — dessas que acabam dando um sentido inesperado ao conjunto —, encontramos pelo caminho outras histórias marcadas pelo tempo.

O Pátio Shopping completa 15 anos em Chapecó. Tempo suficiente para acompanhar mudanças profundas na maneira como consumimos, nos relacionamos com os espaços da cidade e entendemos o próprio papel de um shopping center. O Startup Weekend chega aos 10 anos por aqui mantendo uma proposta que, desde o início, depende essencialmente de pessoas dispostas a tirar ideias do papel.

No Papo Cabeça, que se estende para uma conversa no podcast falaFV!, Raquel de Oliveira Reis fala sobre uma trajetória construída ao longo de duas décadas na engenharia, mas também sobre aquilo que existe para além dela. Gestão, família, projetos pessoais, comunicação, sonhos que mudam de forma.

E nossa reportagem Especial fala de outro tipo de tempo. Aquele contado pela convivência. Pelos animais que chegam às nossas casas, atravessam mudanças, acompanham filhos crescendo, envelhecem conosco e acabam ocupando um espaço que não precisa substituir nenhum outro para ser importante. Em Quem cuida de quem?, fomos conhecer famílias e profissionais para falar sobre afeto, responsabilidade, luto e uma pergunta essencial quando decidimos dividir a vida com outra espécie: como amar profundamente sem deixar de reconhecer quem o outro é?

Ao completar nossas 23 primaveras, percebemos que esta edição acabou falando muito sobre permanência sem que tivéssemos planejado assim. Não a permanência imóvel, protegida das mudanças, mas aquela capaz de atravessá-las.

A Flash Vip mudou muito desde a primeira edição. Mudaram as páginas, as pessoas, a cidade, as formas de produzir conteúdo e até os lugares onde nossas histórias chegam. Hoje uma reportagem impressa pode continuar em vídeo, virar conversa no podcast, ganhar novos recortes nas redes. Ainda assim, algo permanece bastante familiar depois de 23 anos: a vontade de encontrar boas histórias e dedicar tempo para contá-las.

Entre aniversários, chegadas, despedidas e recomeços, esta edição acabou nos lembrando disso. Que bom poder continuar por aqui para contar.

Forte abraço e boa leitura.

LEIA TAMBÉM