Seja ou não alguém que jogue com frequência, você já ouviu falar de diversos jogos por aí.
Angelo Parisotto
“FIFA”, “Call of Duty”, “League of Legends”, são jogos distribuídos mundialmente pertencentes a empresas multimilionárias. Por mais que grande parte das vezes estes sejam bons produtos, eles têm um objetivo primordial: atingir o maior número de pessoas possível.
Vejam bem: isto não tem nada de errado. No entanto, para agradar tanta gente, algumas escolhas narrativas e de jogabilidade precisam ser cortadas. Você tem que inovar, mas é preciso tomar cuidado com a ousadia.
A analogia clássica que me transparece é com restaurantes. Quando vamos em grandes franquias (como aquelas bem famosas de sanduíches) até podemos ter uma refeição que nos agrade. Da mesma forma, eventualmente queremos ter uma refeição mais ‘autoral’, daquelas que foram feitas especialmente para você e com aquele tempero que só aquela cozinha pode lhe entregar.
Jogos independentes (ou jogos indie) são feitos por uma ou poucas pessoas, sem financiamento direto por grandes publishers de jogos. Justamente por isso, não conte com gráficos hiper-realistas, porque isto está longe de ser uma regra nestas obras. O objetivo aqui é apresentar histórias inusitadas ou jogabilidade inventiva. Eventualmente, jogos indie galgam seu espaço e se tornam bastante conhecidos. Um exemplo recente é Fall Guys. O jogo que ficou conhecido por aqui por remeter ao quadro Olimpíadas do Faustão do programa dominical, ‘quebrou’ a internet e se tornou um dos jogos mais acessados dos últimos meses. No entanto, os indies são o melhor lugar para contar aquelas histórias que a indústria não faz questão de contar. Aquelas histórias que não funcionam em filmes e livros. Enredos de texto, vídeo, som e gameplay que transmitem emoção e permitem uma experiência diferente em jogos.
Voltando aos restaurantes, um bom jogo indie é como ir para aquele bistrô para poucas pessoas em que a comida foi feita só pra você e que sabemos que não vamos encontrar mais em nenhum outro lugar. Não tem nada de errado em querer comer um fast food de vez em quando, mas a emoção que um prato feito com carinho transmite é incomparável.