Uma situação recorrente e uma queixa comum
FVcomunica!
É comum que mulheres procurem o médico urologista com queixas de “dor na bexiga”. E primeiro cabe desmistificar a especialidade para informar que sim, ela também trata mulheres, afinal, a urologia é a especialidade médica direcionada aos problemas urinários e não apenas à saúde masculina.
Conforme o médico urologista Marcelo Zeni, na maioria dos casos, estas mulheres já chegam ao consultório afirmando sofrerem de infecções urinárias (ou por acreditarem nisso ou por terem sido instruídas de que este seria o seu diagnóstico). “Sabidamente, as infecções urinárias são as causas mais comuns destes desconfortos relacionados à bexiga: dor, ardência para fazer xixi, necessidade urgente de urinar, aumento das idas ao banheiro e, por vezes, até mesmo rastros de sangue na urina ou não conseguir controlar e ter escapes. Mas essas não são as únicas causas”, explica Zeni.
Conforme o médico, o diagnóstico de infecção urinária, especialmente de repetição, idealmente depende da confirmação por um exame chamado “cultura de urina” (ou urocultura). “É bastante frequente que nos cheguem pacientes afirmando sofrerem de infecções urinárias, e ao olhar com mais cuidado, nos depararmos com casos que, das duas, uma: ou nunca fizeram o exame de urina ou o exame de urina, de fato, não revela infecção. Neste momento é hora então de repensar: se não estou melhorando, não estaria meu diagnóstico necessitando outras hipóteses?”, indaga e completa: “Pedras, tumores, problemas ginecológicos ou mesmo infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) podem ser a causa real do desconforto. Outra grande inimiga é a chamada bexiga hiperativa, que pode afetar uma em cada quatro mulheres, causando sintomas como aumento da frequência miccional, dor de bexiga, urgência e até sangramentos, levando a intenso desconforto, mas com os exames normais”, informa Marcelo.
Então, diante de dores de bexiga que não melhoram é preciso “pensar fora da caixa” e considerar que outros problemas, além das infecções, podem ser as responsáveis. “Deixar de cogitar diagnósticos diferentes, nos tira a oportunidade de realizar o tratamento ideal para cada caso. E a boa notícia é que existem tratamentos – e muito eficientes – para estas condições”, finaliza.