moda
05/10/2026

As páginas que romperam barreiras

Eu gostaria de escrever mais uma coluna sobre moda e lifestyle. Mas não posso. Não desta vez.

AUTOR

Bruno Gerhardt

Hoje, com muita gratidão e amor no coração, preciso dedicar esta coluna aos 23 anos de Flash Vip no mundo. Às 23 primaveras, às 23 voltas ao redor do sol, às histórias que foram contadas e às tantas outras que ainda estão por vir.

A moda, para mim, é motor e alimento diário. É uma forma de enxergar o mundo, de me expressar e, muitas vezes, de encontrar sentido nele. Desde que me entendo por gente, como costumamos dizer, sabia que queria trabalhar com moda. Cursar Moda nunca foi uma opção: era um caminho. E assim eu fiz.

Mais tarde, com o boom dos blogs de moda no Blogspot, resolvi criar o Fluindo Moda. Um blog que se inspirava nas grandes revistas de moda que eu admirava. Foi ali que descobri uma nova paixão: escrever sobre moda.

Foi quando, de repente, me vi diante de uma profissional que é um verdadeiro furacão e exala moda por onde passa: Simone Oro.

Simone é uma personal stylist maravilhosa. E olha que incrível: ela produzia editoriais para uma revista local. Foi através dela que conheci a Flash Vip e comecei a me aproximar daquele sonho que, até então, parecia tão distante: trabalhar em uma revista de moda.

Em 2012, tomei coragem e chamei a Simone para dizer que queria ser seu assistente. Foi assim que tive a oportunidade de ajudá-la na produção do editorial “Bossa Nova”. Para mim, aquilo foi uma realização enorme — e também uma escola. Aprendi, observei, vivi cada detalhe.

Naquela época, eu também atuava como colunista social e, por isso, encontrava frequentemente nos eventos algumas das pessoas que faziam a FV acontecer: Carla, Carol e Nando. Aos poucos, aquela revista que eu admirava começou a fazer parte da minha própria história.

Em 2017, junto com minha amiga Laura Wolff, produzi um editorial para a FV chamado “Viagem Poética”.

E então veio uma das maiores ousadias da minha trajetória: eu me convidei para ser colunista de moda da revista. A ousadia deu certo. E aquele convite que fiz a mim mesmo se transformou em uma parceria que permanece até hoje.

Olhar para esses 23 anos é perceber que a Flash Vip nunca esteve apenas nas páginas de uma revista. Ela também esteve na quebra de muitas barreiras. Barreiras de comportamento, de linguagem, de padrões e, principalmente, de espaço. Ao longo de sua trajetória, a FV abriu portas para pessoas, histórias, profissionais e ideias que talvez não encontrassem o mesmo espaço em outros lugares. E fazer isso durante 23 anos, acompanhando tantas transformações da nossa sociedade, é também uma forma de fazer história.

A moda mudou. A forma de consumir informação mudou. O jornalismo mudou. A maneira como nos relacionamos com imagem, estilo e comportamento mudou. E a Flash Vip esteve ali, atravessando essas transformações e encontrando novas maneiras de continuar contando histórias.

E, de alguma forma, eu também fui atravessando essas mudanças junto com ela.

Desde então, tenho tido o privilégio de contar histórias sobre moda, comportamento, estilo e, principalmente, sobre pessoas. Porque falar de moda nunca foi apenas falar de roupas. É falar sobre mudanças, escolhas, sonhos, identidade e momentos de vida.

Por isso, hoje, esta não é apenas mais uma coluna. É um agradecimento.

Obrigado, Flash Vip, por 23 anos espalhando moda, informação, cultura e conteúdos de qualidade. Obrigado por quebrar barreiras, abrir caminhos e dar espaço para tantas histórias, tantos profissionais e tantos sonhos.

E, sobretudo, obrigado por me permitir fazer parte dessa história. Porque algumas revistas registram uma época. Outras ajudam a construí-la.

Que venham novas primaveras, novas voltas ao mundo, novas páginas e muitas outras histórias para contar.


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