Se precisar, peça ajuda.
FVcomunica!
Em 1994, um jovem norte-americano tirou sua própria vida, sendo encontrado dentro de um Mustang amarelo. No seu velório, os pais distribuíram laços amarelos e sugeriram para as pessoas que estivessem em sofrimento buscassem ajuda. Em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o dia 10 de setembro para ser o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio. E a cor do Mustang de Mike foi a escolhida para representar essa campanha, simbolizada pelo laço amarelo. Em 2015, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) junto com o Centro de Valorização da Vida (CVV) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), trouxeram o Setembro Amarelo ao Brasil.
“Ainda assim, precisamos passar um mês inteiro relembrando que ninguém escolhe adoecer, que depressão é doença sim, que transtornos mentais geram sofrimento (por isso se chamam transtornos). E no restante do ano... ah, daí se torna frescura, falta do que fazer, falta de Deus no coração e só quer chamar atenção”, opina a psiquiatra Rafaela Pavan.
Conforme a médica, o Brasil ocupa a 2ª maior prevalência de depressão no mundo. Em Santa Catarina, há uma média de 20-30% da população com depressão em algum grau. Os estudos demonstram que 96,8% dos casos de suicídio são preveníveis, por serem relacionados a transtornos mentais tratáveis. E houve grandes evoluções na psiquiatria, permitindo tratamentos diversos.
A palavra ‘psiquiatria’ tem origem grega e é formada pela união dos termos psykhē (ψυχή), que significa ‘alma’ ou ‘mente’, e iátreia (ἰατρεία), do grego iátron (médico). “Portanto, são os médicos da mente, da alma, mas é medicina. É ciência. É realizada investigação para descartar causas clínicas, inclusive”, salienta a médica.
Para Dra. Rafaela, o cérebro é um órgão muito nobre para ser ignorado quando adoece no seu funcionamento. “É o centro de quem somos, não podemos substituir. Precisamos entender que ele precisa ser cuidado”, alerta, lembrando que esse cuidado é amplo e serve para o corpo todo: atividade física regular, alimentação equilibrada, sono de qualidade, relações significativas e saudáveis, evitar substâncias que causam dano. É todo um equilíbrio que, por vezes, assim como doenças orgânicas, vai precisar de medicação.
“Antes de ‘temer uso de remédio’, deveríamos temer as doenças que nos roubam de nós mesmos, de viver a vida com plenitude, julgar a dor que não sentimos, diminuir o sofrimento de quem teve uma história diferente da nossa. A campanha do Setembro Amarelo de 2025 teve como slogan ‘Se precisar, peça ajuda!’. Eu a ampliaria: se perceber que al guém precisa, ofereça ajuda. Por isso, sempre é importante lembrar: não existe saúde sem saúde mental. Como você está cuidando da sua?”