Há algo de novo no ar — e, desta vez, a moda brasileira não está apenas acompanhando o movimento global, ela está puxando a conversa
Bruno Gerhardt
A última edição do SPFW foi um lembrete poderoso de que criatividade, experimentação e responsabilidade podem — e devem — caminhar juntas.
Os desfiles desta temporada foram mais do que apresentações; foram declarações. Tivemos propostas inusitadas, encenações que flertaram com o teatro, instalações que expandiram o olhar e designers que não tiveram medo de arriscar. A impressão é clara: a passarela brasileira virou laboratório. E que delícia vê-la assim.
Mas a inovação estética não veio sozinha. Ela chega em um momento crucial, em que o Brasil se preparou para sediar a COP30, em Belém. E é impossível ignorar o paralelo. Enquanto o mundo discute caminhos para um futuro mais sustentável, nossas marcas começam a mostrar que a moda pode — e precisa — ser parte desse discurso.
O SPFWN60 trouxe coleções que celebram saberes ancestrais, materiais responsáveis e narrativas que apontam para uma moda que respeita território e meio ambiente. Não é discurso vazio. É prática. É design com consciência, sem abrir mão do impacto visual que sempre nos distinguiu.
Se o mundo esteve de olho no Brasil por causa da COP, que olhe também para nossa moda.
Porque ela está madura, vibrante e pronta para assumir o centro dessa conversa.
A sensação que fica é clara: estamos vivendo uma virada.
Que em 2026 possamos ver a moda como veículo de transformação real e importante no nosso cotidiano, afinal é isso que ela realmente é.