Com a Parada de Luta longe das ruas, UNA LGBT realizou ações de auxílio à comunidade durante pandemia
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reportagem e fotos FERNANDO BORTOLUZZI e MIRELLA SCHUCH
“Que amanhã não seja só um ontem”. Foi com esse lema – trecho da música AmarElo de Emicida, Majur e Pabllo Vittar – que a 5ª Parada de Luta LGBTQIA+ do Oeste Catarinense desceu a Avenida Getúlio Vargas em meio a muitas cores, demonstrações de afeto, gritos de reivindicação por respeito e fim à violência contra gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais, transgêneros e demais membros da sigla da diversidade. A tarde de domingo, 26 de junho, tornou-se histórica para a União Nacional LGBT em Chapecó – realizadora da Parada desde 2016 – que reuniu cerca de 6 mil pessoas, o maior público de todas as edições do evento, após dois anos sem colorir as ruas por conta da pandemia de Covid-19.

Entre coletivos políticos de jovens e apoiadores do movimento presentes na Parada, estava a ONG Mães pela Diversidade. Criada há 15 anos, a entidade nacional tem o intuito de acolher e trocar experiências com pais, mães e filhos da comunidade LGBTQIA+. Como reforça uma das representantes, Marli Campos, as pessoas têm o direito de viver, amar e serem amadas, independente do gênero e orientação sexual. “É dever dos pais estar presente na vida dos filhos e mostrar que eles merecem ser respeitados também fora de casa”, expressa.
Marli é mãe de Carlos Eduardo Linhares Caetano. Ele conta que nem toda sua família o aceita, mas o acolhimento dos pais é extremamente importante. “Sem o apoio deles eu não conseguiria trabalhar e estudar. Tenho muito orgulho dos meus pais, que além de me respeitarem, também lutam contra a lgbtfobia e estão sempre buscando informações que abracem as causas LGBTQIA+, como a falta de políticas públicas”, expõe Cadu.

Família e apoio: duas palavras que ganharam peso ainda maior durante os isolamentos impostos pelo coronavírus, a qual muitas pessoas não tiveram direito pela necessidade de colocar comida na mesa. A insegurança econômica, principalmente de famílias que enfrentaram uma especial vulnerabilidade frente à pandemia, levou as UNAs LGBT de Chapecó e Xanxerê a criar um auxílio emergencial para famílias LGBTQIA+. A campanha consistia na arrecadação de fundos para o financiamento de kits de alimentação e higiene pessoal e o cadastramento dessas pessoas que necessitavam do amparo. O objetivo foi garantir o acesso básico desta parcela da população a mantimentos essenciais para a manutenção da vida. Entre abril e novembro de 2020, a campanha arrecadou quase R$ 4 mil, o suficiente para entregar 31 cestas básicas a 25 famílias em situação de vulnerabilidade. Aquelas com mais de 10 membros, receberam dois kits.
Longe das ruas, o intuito da entidade foi dar continuidade ao seu papel social e entregar amor e afeto. Além das ações de auxílio, a UNA promoveu em 2020 a campanha “A Parada é no Hemocentro”, como incentivo à doação de sangue, viabilizada após decisão do Supremo Tribunal Federal em derrubar as restrições à doação por pessoas LGBTQIA+ e a regularização da medida pelo Ministério da Saúde, em junho daquele ano. “A ideia era fazer valer nossa conquista ajudando a salvar vidas. Todo sangue é testado, delimitar a população LGBT como grupo de risco exclusivamente por nossas sexualidades ou identidades de gênero é preconceituoso. A suscetibilidade de contaminação está em todas relações sexuais sem prevenção, seja ela hetero ou homoafetiva”, explica Carol Listone, presidenta da UNA LGBT Chapecó.

Em junho de 2022, Mês do Orgulho, a UNA LGBT Chapecó realizou a 1ª Formação em Saúde LGBTQIA+ para profissionais com foco no atendimento humanizado, em parceria com a Secretaria de Saúde. Um circuito de conversas sobre Direitos Humanos e população LGBTQIA+ também foi feito com os alunos do Ensino Médio do IFSC, com o apoio do Grêmio Estudantil.
Apesar dos avanços conquistados durante as últimas décadas, o Brasil mantém pelo quarto ano seguido o título de país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo inteiro, segundo o Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+ de 2022. A luta e o orgulho defendidos pelas ações da UNA visam a busca por respeito à liberdade, à existência e, principalmente, à vida dessas pessoas, e deve seguir sempre em evolução, para que amanhã não seja só um ontem com um novo nome.
