Um dos maiores eventos esportivos do mundo não é só futebol. É sociedade, globalização, comportamento e cultura.
Carol Bonamigo
Você lembra das Copas que já viu ao longo da sua vida? Nem todo mundo lembra quem fez o gol em cada jogo, mas muita gente lembra onde estava, com quem assistiu, qual era a música que tocava, quem gritou mais alto e quem acreditou até o último minuto.
A Copa é um fenômeno esportivo, mas também é cultural. E por isso continua atravessando gerações.
Voltando no tempo, mais precisamente em 1958, o Brasil erguia pela primeira vez a cobiçada taça, sendo reconhecido como a melhor seleção do futebol mundial. Neste mesmo ano, foram consagrados Garrincha e Zagallo e fomos apresentados a um jovem Pelé, com apenas 17 anos.
Pouco depois, em 1962, uma campanha invicta levou a seleção brasileira ao bicampeonato, tendo Garrincha e Vavá como artilheiros.
Não muito longe, em 1970, Zagallo — dessa vez como técnico — comandou o time ao tri, com um elenco lendário, com Pelé, Jairzinho e Carlos Alberto Torres. Era a magia do futebol brasileiro sendo solidificada na história.
Depois, o jejum de 24 anos. Mas quem lembra de 1994, recorda do tetra. Dos craques Romário, Bebeto, Dunga e o famoso bordão “vai que é tuaaaaa Taffarel”. Era televisão sendo levada para a garagem, para acomodar parentes e vizinhos em frente à tela para torcer juntos pelo Brasil; era dia de jogo virando feriado nacional.
Já em 2002, lembramos do penta. Da campanha invicta, do retorno de Ronaldo Fenômeno e seu cabelo “cascãozinho”, do ataque do Trio R (Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo) que fazia os adversários tremerem, da bomba do Roberto Carlos e o veterano Cafu erguendo a taça.
E então, finalmente foi a nossa vez de brilhar… ou assim pensamos. Quem esperou ansioso para sediar o campeonato, prefere esquecer o ano de 2014, quando fomos anfitriões da Copa do Mundo. O histórico 7x1 contra a Alemanha ainda tem gosto amargo na boca do torcedor brasileiro.
E cá estamos novamente, em 2026, que mais parece outra era. Onde transmissões simultâneas, comentários, memes, matérias jornalísticas e opinião popular estão todos ali, na palma da mão, a um clique de distância. É impossível não viver a Copa, mesmo quando não se gosta de futebol. Até porque ela movimenta mais que o esporte, move o turismo, a economia, a tecnologia, a comunicação.
Centenas de milhões de pessoas voltando a atenção para o mesmo lado. Deste lado do continente, são os gols de Vini Jr. e Matheus Cunha, o retorno de Neymar com a camiseta da seleção e o manto verde e amarelo tomando conta das ruas não só do Brasil, mas de todo o mundo.
E a pergunta que não quer calar: dessa vez, o hexa vem? Depois da vitória contra a Escócia, passamos para a próxima fase e vamos para o mata-mata. Agora é continuar torcendo, acendendo vela na frente da televisão, estendendo bandeira na janela, colocando aquela velha camiseta que já viu tantas partidas, reunindo a família em casa ou chamando os amigos no bar. O importante é curtir.
E como essa geração, que está vivendo a Copa pela primeira vez, vai se recordar da maior competição do futebol mundial? Vamos marcar, não com gols, mas com lembranças. Porque, no fim das contas, o futebol passa, mas as histórias ficam.