Enquanto o Brasil acompanha cada movimento do reality pela TV, pay-perview e redes sociais, conversamos com a empresária Mariana Floss, mãe de Juliano, que vive intensamente aqui fora cada passo do filho dentro do programa.
Carol Bonamigo
Chapecó tem um representante de destaque na casa mais vigiada do país, que vem mobilizando torcidas, gerando debates e, sobretudo, conquistando o público brasileiro. Aos 21 anos, o dançarino Juliano Floss entrou no Big Brother Brasil 2026 como convidado do grupo Camarote e rapidamente passou a chamar a atenção dos espectadores. Com mais de 17 milhões de seguidores somando Instagram e TikTok, ele já mostrou a amplitude de sua torcida logo em seu primeiro paredão, enfrentando um dos participantes mais fortes da edição, Jonas Sulzbach, no 72º dia de confinamento.
Mas, para além dos números e da visibilidade, existe uma história que começa muito antes das câmeras e que ajuda a explicar o que o público tem visto dentro da casa do BBB. Juliano dança desde os 10 anos de idade e foi na arte que encontrou expressão, disciplina e propósito. Ao longo dos anos, participou de festivais e competições no Brasil e no exterior, até alcançar palcos internacionais e integrar projetos ao lado de grandes nomes, como Anitta. Ainda assim, dentro do seio familiar, o olhar sempre foi outro.
“É bem estranha [a sensação de ter um filho famoso]. É como se eu não tivesse assimilado. Sim, é incrível, mas para mim não muda, continua sendo o Juliano”, diz Mariana Floss, empresária e mãe de Juliano. E essa percepção se reflete na forma como ela sempre conduziu a relação com o filho, mesmo diante da projeção. “Até mesmo quando ele participou da Dança dos Famosos, não fiquei deslumbrada por meu filho estar na Globo. Cobrava responsabilidade, disciplina e horário”, conta.
A entrada no Big Brother, no entanto, trouxe uma camada completamente nova de emoções. Mariana revela que esse não foi o primeiro convite. “Da outra vez, ele chegou para mim e perguntou: ‘Mãe, você aguenta? Porque se você disser que não, eu não vou’. Ele aceitou, mas acabou desistindo na última semana”, recorda.
Desta vez, a conversa foi a mesma, mas o desfecho foi diferente. “Ele veio, conversou comigo de novo, mas agora ele foi. E eu estou surtando”, diz, rindo da real situação.

E acompanhar o BBB, hoje, vai muito além de ligar a televisão à noite. A dinâmica de consumo do programa mudou, e muito. A edição da TV aberta, embora ainda seja o grande palco, já não dá conta de traduzir toda a complexidade do jogo. “Não dá mais para acompanhar só pela TV. Ali é um recorte. O público do sofá, como eles dizem, só vê aquilo e tem uma visão de jogo”, explica Mariana. Do outro lado, existe um público cada vez mais engajado, que acompanha o pay-per-view, analisa cada movimento em tempo real e transforma as redes sociais em uma extensão do reality. São cortes, comentários, threads, análises — um fluxo constante que constrói narrativas paralelas, muitas vezes mais profundas do que a própria edição. “Quem acompanha redes sociais e PPV tem outra visão completamente diferente do jogo”, reforça. E é nesse ambiente que reputações são construídas — ou destruídas — com velocidade impressionante.
Dentro desse cenário, Juliano já sabe como é lidar com os julgamentos alheios. “Ele sofreu preconceito muito cedo. Na escola, no futebol, até na família. Ouviu que dançar não era coisa de homem. E quando vieram as redes sociais, os ataques tomaram uma proporção cruel. Então, ele entrou no BBB achando que isso ia ficar ainda maior”, afirma Mariana.
E talvez seja justamente esse histórico que explique um dos pontos mais comentados sobre sua participação: a autenticidade. Juliano dança, brinca, defende seus amigos e aliados com unhas e dentes, conta sobre a mãe, a namorada, ri de si mesmo, entra em discussões e dança mais um pouco. “Ele está tão acostumado com cancelamento que nem imagina o quanto está sendo amado aqui fora”, diz a mãe, orgulhosa.

Sua forma leve, emotiva e verdadeira de se posicionar no jogo acabou criando identificação. Outro ponto que chamou a atenção do público foi a rede de aliados que Juliano formou na casa. Cercado especialmente por mulheres, ele não se intimida com a força feminina e nem tenta apagar o protagonismo delas. “As pessoas falam que eu deveria dar um curso de como criar homens como ele. Mas ele é resultado do ambiente onde cresceu. Da mãe, do pai, das avós, os irmãos, o grupo da dança, os amigos da escola, tudo contribuiu para ele ser essa pessoa que é hoje”, reflete.
E talvez seja justamente aí que esteja o maior impacto dessa experiência para Juliano — não necessariamente no prêmio final, mas na descoberta do que existe do lado de fora. “Mais do que o prêmio — que claro, seria incrível se ele ganhasse, ele está jogando para isso —, acho que o que mais vai surpreendê-lo é sair e ver esse carinho todo, até com matérias das pessoas falando sobre o tipo de homem que ele é, gentil, acolhedor, sem uma masculinidade frágil”.
Antes mesmo de atravessar a porta do confinamento, no entanto, havia algo que precisava estar muito claro, quase como um ponto de ancoragem, e o conselho de Mariana não foi estratégico, nem calculado. Foi, como tudo entre eles, genuíno. “Eu disse para ele ser ele mesmo. Porque o Juliano é muito coração, muito verdadeiro e emotivo. O que vocês veem é o que ele é”. Até porque, no fundo, estar ali sempre foi mais do que uma oportunidade. Era um sonho antigo. “Ele cresceu assistindo comigo. Sempre quis entrar, e eu sempre disse que não, porque eu não tinha saúde para lidar com isso”, conta, entre o riso e a sinceridade de quem agora vive exatamente aquilo que antes temia.
E é dessa mistura de sentimentos, entre o orgulho de ver o sonho acontecendo e a ansiedade de não poder proteger de perto, que Mariana acompanha cada dia do filho dentro da casa do BBB. Entre estratégias, embates e emoções, Juliano Floss segue conquistando seu espaço e o público sendo exatamente quem é.