CULTURA E VARIEDADES

Trilha Sonora: Pinkerton – Weezer

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Por Fil Souza Advogado, músico amador, apreciador de um bom e velho disco

É uma banda de rock que nunca esteve, pelo menos aqui no Brasil, na grande mídia, tocando diversas vezes na MTV, trilha sonora de novela ou facilmente encontrada em lojas do ramo. É um grupo um pouco “cult”, formado em 1992 em Los Angeles, Califórnia, EUA, por Rivers Cuomo e sua corja, tocando, inicialmente, covers de Nirvana.

Conheci Weezer meio que por acaso, em trocas de MP3 no ano de 2001. Confesso que, numa primeira ouvida, não me chamou tanta atenção, mas agradou. Essa banda foi me conquistando aos poucos com uma música simples e sincera e, disco a disco, fui me tornando fã de carteirinha.

O disco que falarei nesta edição é o Pinkerton, segundo álbum de estúdio da banda, lançado em 1996, sucessor do aclamado Weezer (The Blue Album), que teve uma grande repercussão no mundo. Este não é o álbum mais famoso da banda, não contém nenhum grande hit, não ganhou nenhum prêmio, ao contrário, foi massacrado pela crítica, sendo um desastre de vendas, de modo que a banda declarou, após seu lançamento, a paralisação das atividades por tempo indeterminado (demorando cinco anos para lançar outro trabalho), além da afirmação de ter desejado nunca ter gravado esse disco.

No entanto, considero este um álbum profundamente simples e sincero. Sendo um dos meus favoritos. Eis que foge a todo padrão adotado pela banda, onde as canções revelaram muito mais da vida pessoal de Cuomo, de uma forma quase que ingênua, que tudo que ele já tinha feito e veio a fazer.

As minhas favoritas são Tired of Sex, Why Bother, Across the sea e Falling for you. Este é um álbum legal para escutar e pensar nas letras. E é assim que vou relatá-lo dessa forma (através das letras) para vocês.

Com Tired of Sex já na faixa inicial ele se expõe dizendo estar cansado de sexo e se pergunta quando fará amor de verdade? Parece que está se “achando o comedor”, mas procurando algo real, alguém para se entregar e construir algo. Romantismo barato? Sejamos realistas, sexo não é tão difícil de conseguir, mas alguém aí pode me dar o segredo para encontrar o amor? Eis o grande desabafo de Cuomo.

Em Why Bother?, Cuomo expõe seu medo em se entregar a um novo relacionamento e se machucar novamente, então, “why bother?” (pra que se incomodar?). Across the Sea é uma música aparentemente feita para uma fã do Japão que lhe enviou uma carta, na qual ele relata que gostaria de saber mais sobre ela, de conhecê-la, mas ela está do outro lado do oceano e isso seria difícil, então ele passa a imaginar como seria o cotidiano da garota, como ela seria, seu comportamento.

Em seguida, temos a peculiar Pink Triangle. Aqui ele considera que achou a garota ideal, se apaixonou por ela, inclusive “casou” com ela em seus sonhos, porém, há um pequeno probleminha, ela é lésbica e, por esse simples motivo, não rola. Então, somente lhe resta cantar sua frustração. Esse não é um disco que vai fazer você repensar seu gosto musical, ser mais crítico com a sociedade ou então mudar o seu discurso ou postura, mas é uma ótima e gostosa degustação auditiva que vai te fazer bem e, provavelmente, você irá se identificar, em algum momento da sua vida, com alguma dessas músicas.

Fica aí a minha dica para essa edição, compre, baixe, escute, ouça e depois, se for o caso, critique.

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Revista catarinense com foco em cultura, comportamento, variedades e o que mais for pautado pelo cotidiano.

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