CULTURA E VARIEDADES

Trilha Sonora: American Idiot – Green Day

green day

por Fil Souza – advogado, músico amador, apreciador de um bom e velho disco

Acredito que o Green Day dispensa maiores apresentações. O trio veio da Califórnia no fi m dos anos 80 e tem Billie Joe como seu front man. Muitos, assim como eu, têm na banda a porta de entrada para o punk rock, e foi assim que, em 1999, por meio do CD Dookie, que um amigo no colegial me emprestou e me “forçou” a comprá-lo, passei a apreciar este tipo de música. Sempre considerei o Green Day uma banda animada, com músicas legais, mas fi cava bem longe de ser uma banda, a meu ver, genial. Apesar de gostar dos caras, curtia pra valer (entre minhas favoritas) uma ou outra música, normalmente aqueles hits que todo mundo gostava, tocados nas rádios ou clipes na MTV.

Após uma queda na popularidade da banda e de um hiato de quatro anos sem lançar nada, eles surpreenderam o mundo com o disco American Idiot, mantendo a pegada, mas conseguindo não soar igual ao que já tinha sido produzido, mesclando melancolia com animação, velocidade e melodia. American Idiot é o seu sétimo álbum de estúdio, lançado em 21 de setembro de 2004 pela Warner Bros. Records., sendo que o disco apoiou uma iniciativa de algumas bandas de rock dos EUA, dentre elas o NOFX, no ano de 2003 e 2004, quando fi zeram diversos festivais criticando o então presidente George W. Bush quanto à invasão do Iraque por tropas americanas após o atentado de 11 de setembro de 2001. Muitas das canções do álbum tratam da oposição à administração de George W. Bush em particular, e também à sociedade americana contemporânea em geral. O Green Day já disse em várias ocasiões que eles não acreditavam que a política da administração de Bush, que não os representava ou ao interesse geral dos americanos. Para a banda escrever este álbum foi uma atitude clássica de patriotismo: protestar e comentar. O que mais me chamou atenção nesse disco não foram as letras críticas, a velocidade ou melodia de algumas músicas, quanto menos o dinamismo rítmico – que diga-se de passagem, é ótimo.

O que realmente me surpreendeu dessa vez foi o encaixe perfeito. Encaixe perfeito, como assim Fil? Calma, eu explico. Se você ouvir atentamente, perceberá que uma faixa se encaixa perfeitamente na outra. Como se o disco fosse uma única música (sem soar chato). É interessante prestar atenção entre a passagem de uma faixa e outra, aparentando o álbum ter sido composto para soar assim, e não como acontece na maioria dos casos, onde são compostas algumas músicas, eleitas as melhores e essas entram no disco. Uma hora você tem um punk rock nervoso, muito agitado, e depois tem uma música mais ritmada ou então algo calmo, dando um tempo para respirar e, no momento oportuno, retornar com mais força para a próxima parte. Como se fosse uma peça de teatro (e, inclusive, se tornou um musical da Broadway). Você se sente realmente envolvido pela dinâmica do disco. Este foi um álbum diferente, tendo sido anunciado como um “punk opera rock”, ou seja, um álbum de conceito contando a história de personagens como “St. Jimmy”, “Jesus of Suburbia” e “Whatsername”, com algumas canções divididas em atos e com durações beirando os 10 minutos (fato nem um pouco habitual para o trio). A intenção do disco é de ser similar a outros álbuns como The Wall do Pink Floyd, Close to the edge dos Yes ou Tommy do The Who, mas inovando, com o criticismo da sociedade atual. “Don’t wanna be an American idiot/ Don’t want a nation under the new midia/ And can you hear the sound of hysteria?/ The subliminal mind, fuck America (…) Well maybe I am the faggot America/ I’m not a part of a redneck agenda/ Now everybody do the propaganda!/ And sing along in the age of paranoia”.

Destaque para a faixa inicial homônima ao disco, uma música bem animada que traz uma forte critica à sociedade norte-americana, encontrada num colapso consumista e alienada. “Jesus of Suburbia” e “Are we the waiting?” também merecem destaque. “Wake Me Up When September Ends” fi ca como a balada do disco, com um clipe bem bacana. Fica aí a minha dica para essa edição, compre, baixe, escute, ouça e depois, se for o caso, critique.

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