DESTAQUE MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE

Tornando vidas mais verdes

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Há mais de 20 anos, ONG Chapecoense faz da reciclagem o sustento de dezenas de famílias e proporciona novas perspectivas para crianças e jovens carentes.

A conscientização ambiental deve ser um hábito e a responsabilidade é de cada um de nós. O Verde Vida é parte importante para o alinhamento do município com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), fazendo parte do Fórum de Resíduos Sólidos de Chapecó e do Movimento Nacional ODS – Nós Podemos Chapecó. Os ODS buscam dar continuidade ao trabalho dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidos pela ONU, e promover um futuro sustentável até 2030. São 17 Objetivos e 169 metas, para acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar para todos, proteger o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas.

Muito conhecido na cidade de Chapecó, o Verde Vida – Programa Oficina Educativa carrega em seu nome seu real objetivo. A ONG, mais reconhecida pelo trabalho ambiental – através da coleta de materiais recicláveis –, possui forte atuação dentro da comunidade, em especial do Bairro São Pedro, ao oferecer oportunidades a adolescentes e crianças em situação de vulnerabilidade.

São 14 oficinas socioeducativas ofertadas a mais de 100 jovens entre 10 e 17 anos. Oportunidades de reforço escolar, desenvolvimento cultural e preparação para o mercado de trabalho estão entre as opções. Os professores, em sua maioria voluntários, atuam como verdadeiros educadores sociais, contribuindo para fortalecer cada aluno individualmente, buscando compreender a realidade em que está inserido. “Desde que o Programa foi criado, em 1994, teve o objetivo de resgatar os jovens e suas famílias. Devemos atuar no emocional, entender o contexto social desses adolescentes, que, muitas vezes, são problematizados. Trabalhamos na autoestima, na cidadania e no ingresso ao mercado de trabalho para, a partir disso, oferecer uma perspectiva de mudança, de inclusão social”, destaca o coordenador da área social do Verde Vida, Odair Balen.

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Cerca de 65 funcionários e voluntários participam do Verde Vida. A ONG recolhe mais de 260 toneladas de materiais recicláveis mensalmente.

E os jovens que por ali passam, retribuem a atenção e dedicação com o mesmo carinho e apreço. Como o caso de Kathuska Tainara Rodrigues, de 14 anos, que há três participa do Programa. “Ele nos ajuda muito, tanto na parte social, quanto na parte comunicativa. Aprendemos, nos divertimos e nos desenvolvemos. Na oficina de teatro, por exemplo, me auxiliou a perder a timidez e a me comunicar melhor, seja no colégio ou até numa entrevista de emprego. Desenvolvemos um talento e fazemos novas amizades”, destaca a jovem.

Da mesma forma, este amparo é sentido por Alison Gomes Gonçalves, de 11 anos. Durante a oficina de circo, sua preferida, o tímido garoto disse que ainda faz violino, percussão, violão e desenho. “Meu irmão mais velho participava do Programa e eu quis vir também. Gosto muito de aprender coisas novas e fazer novos amigos. O Verde Vida é muito legal, porque aqui não preciso me preocupar com bullying, como na escola. Todo mundo se respeita”, conta, pensativo.

Ativo na ONG há quase duas décadas, Balen testemunhou a transformação de centenas de jovens e do próprio Programa, até se tornar este grande pilar de uma comunidade que já foi muito marginalizada em Chapecó. “O bairro teve um estigma negativo por muito tempo. Muitos chegam aqui encaminhados pela escola, por familiares que já passaram pelo Programa e também pela assistência social do município. Trabalhar com esses jovens e vê-los crescer é uma satisfação pessoal, é para isso que estamos aqui. Ver e participar da transformação do indivíduo é a motivação do trabalho. E é um desafio”, reflete o coordenador social.

Uma dessas vidas foi a de Adenilson Pereira da Silva. O jovem de 19 anos participou da Oficina Educativa, foi encaminhado ao mercado de trabalho – na empresa em que está há dois anos – e agora continua presente na ONG como voluntário. “Acho importante ajudar quem me ajudou. Trabalho à tarde e, pela manhã, auxilio na parte social. Antes era fechado, de cabeça baixa, não conversava com ninguém. Comecei a socializar mais com as pessoas. Aqui também tem a psicóloga, se precisarmos conversar. Sempre tivemos apoio do Verde Vida. Meus irmãos passaram por aqui e meus pais trabalhavam na reciclagem”, pontua Adenilson, dizendo que agora conta com o respaldo do Programa para ingressar na faculdade de Educação Física.

Promoção humana

O Verde Vida tem em sua missão a inclusão social e na reciclagem uma atividade meio. A ONG recolhe mais de 250 toneladas de materiais recicláveis por mês, gerando emprego e renda para dezenas de famílias, enquanto colabora com o meio ambiente. Com uma logística própria, coleta em cerca de 270 pontos espalhados pela cidade. Há 14 anos participando do Programa, dos quais 10 são como funcionário, Cleimar Fonseca teve a sua vida modificada pelo Verde Vida. Desde a parte profissional, em aprender e executar um ofício, até a pessoal, conhecendo sua esposa, Silvana dos Santos. “Nosso relacionamento foi construído aqui dentro e hoje a ONG faz parte da nossa vida. Quando fazemos as coisas com amor, vontade e dedicação, evoluímos.

Como o Verde Vida evoluiu. Se não existisse o Programa, esses adolescentes estariam nas ruas, fazendo sabe lá o que. Eu, quando adolescente, fiquei longe disso porque estava aqui. É uma forma de preservar os jovens da comunidade. Vi o Verde Vida crescer aqui no nosso bairro e dar oportunidades para muitas pessoas”, testemunha o motorista. Um trabalho que envolve diversas frentes e é pautado na valorização e bem-estar social. “Procuramos qualificar quem está aqui dentro. Atuamos com pessoas. É muito mais que juntar papel e plástico. E fazemos tudo com muito amor”, afirma Silmari Pereira, encarregada da produção, que há sete anos faz parte do Programa. “Mas todos têm consciência do importante trabalho ambiental realizado. Tanto os funcionários quanto os clientes, que cada vez mais nos enviam materiais que realmente podemos utilizar. Isso demonstra o quanto somos valorizados, dentro e fora da ONG”, reflete.

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O ex-aluno e atual voluntário Adenilson da Silva, o coordenador social Odair Balen, o presidente Juacir de Souza, a encarregada da produção Silmari Pereira e o coordenador administrativo Volnir Gallina.

O Verde Vida atua na classificação dos produtos. Tudo é coletado, trilhado, enfardado e vendido para outra empresa transformar em matéria prima reciclada. Onde reaproveitamento é a palavra chave, as ações vão além da coleta. No ano passado, o Programa arrecadou aproximadamente 30 mil litros de óleo de cozinha. Além disso, uma parceria com supermercados transforma os rejeitos orgânicos em adubo, através da compostagem. Este composto é comercializado e utilizado também na horta comunitária do Verde Vida, na qual hortaliças são cultivadas livres de agrotóxicos e vendidas a um preço abaixo do mercado. São todos projetos que ainda buscam incentivos para crescerem ainda mais. Na visão do atual presidente do Programa Oficina Educativa, Juacir Pereira de Souza, a preocupação primordial é a promoção humana. “Nestes 20 anos em que estive envolvido, nossa preocupação sempre foi em promover as famílias da comunidade, tirá-las das ruas e envolvê-las com a reciclagem. Sempre quisemos que as pessoas tivessem, acima de tudo, dignidade. Eles precisam ficar porque amam o trabalho, não porque é a única alternativa”, afirma. O desafio desta gestão é mostrar a grandeza da atuação da ONG. “Precisamos trazer a comunidade para dentro do Verde Vida. Mostrar quem somos, o que fazemos e como trabalhamos. A sociedade não sabe o tamanho que temos. É preciso entender que a produção é um apêndice, o nosso olhar sempre foi para as famílias”, finaliza.

“O jovem é o patrimônio da sociedade, um investimento, um capital social que precisamos entender que, se não cuidarmos bem, não terá um bom resultado na frente. Então ele tem que sair fortalecido daqui” – Odair Balen, coordenador social Verde Vida.

 

 

 

Sobre o autor

Carol Bonamigo

Carol Bonamigo

Jornalista, pós-graduada em Cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app pra organizar todas as séries que assiste.

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