SAÚDE E BEM-ESTAR

Sonhando com os anjinhos

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Por Rodrigo Kohler – Médico Otorrinolaringologista, especialista em medicina do sono.  

Muito motivado por um momento em particular que estou passando, – mágico, diga-se de passagem – vejo a necessidade de destacar algumas ideias sobre o sono de bebês. A necessidade de conhecer melhor o assunto surge quando os pais se deparam com inúmeras noites mal dormidas. Lógico que não há uma fórmula mágica ou uma receita única, mas, algumas dicas devem ajudar tanto os pais quanto os pequenos. Para muitos bebês dormir é um desafio. O padrão de sono passa por uma mudança radical nos primeiros 6 meses, principalmente na concentração e consolidação das horas de sono. Um bebê de 0 a 3 meses tem necessidade de 11 a 19 horas de sono, enquanto dos 4 aos 11 meses, se aproxima de 10 a 18 horas. A adaptação desse processo depende do tempo, mas, alguns outros fatores podem ajudar. Os pais têm papel importante no sono dos bebês. São poucos os que aprendem como adormecer sozinhos (seja chupando o dedo, segurando um paninho ou se embalando), todos os outros são ensinados.

Algo consistentemente, visto na literatura, é a relação entre o envolvimento noturno dos pais e os problemas do sono infantil. Em comparação com os bebês que adormecem no berço com assistência parental mínima, os bebês com participação significativa dos pais (isto é, enquanto no colo, no seio, embalados, etc.) são mais propensos a ter um número e uma duração aumentados de despertares noturnos. Supõe-se que os bebês que adormecem com maior envolvimento dos pais não conseguem desenvolver suas próprias habilidades de auto-regulação e apaziguamento e, portanto, continuam dependendo de intervenções dos pais repetidas durante a noite. Entretanto, para acalmar o coração dos pais participativos, existem estudiosos que afirmam que bebês com mais dificuldade no sono necessitam de mais envolvimento dos pais.

Mas, os pais podem fazer algo? Ter conhecimento sobre o assunto ajuda muito. Existem evidências científicas que mostram a relação forte entre problemas do bebê para dormir e o conhecimento dos pais sobre sono dos bebês. Outro fator muito importante é a rotina. Claro que é um processo árduo devido a adaptação de todos envolvidos, mas, bebês com pais de rotinas definidas têm melhor sono. Estabelecer uma regularidade no sono do bebê só é possível após o quinto mês habitualmente, então, não se desgaste muito tentando impor um sono de noite toda antes disso. Porém, uma rotina de sono dos pais pode aumentar o tempo total de sono do bebê, e diminuir os números de despertares. Algo muito popularmente comentado é que o bebê “trocou o dia pela noite”. É possível, e nos primeiros três meses é frequente que seu bebê não perceba bem a diferença entre o dia e a noite. Isso já estará melhor resolvido até os seis meses, a rotina mais uma vez vai colaborar nesse sentido. Sinalize para o bebê que é hora de reduzir o ritmo: escureça o quarto e diminua estímulo sonoro e visual. Alguns bebês podem relaxar e dormir melhor com um banho, uma canção ou conversa baixa, entretanto, para outros isto pode despertar ainda mais (observe no seu bebê). A chamada “naninha” (algum objeto macio para segurar até dormir) pode ajudar para alguns como um marco que o acalme ao despertar durante a noite por exemplo.

Como já dito, vincular o sono a um hábito dos pais (como o colo, por exemplo) pode ser prejudicial para ambos. Para facilitar, após mamar, o bebê arrota ainda no colo, em seguida é só esperar uns minutos para o leite se acomodar no estômago e ajeitá-lo no berço, ainda acordado. Para diminuir a ansiedade de ambos, dê a mão, converse baixo e faça carinho, transmitindo aconchego. Algumas informações de segurança são muito bem detalhas por colegas pediatras, tais como: manter seu bebê de barriga pra cima (devido a anatomia do bebê e o reflexo, diminui a chance de se afogar), use uma superfície firme para o bebê dormir, compartilhe seu quarto com o bebê (recomendado até os 6 meses, reduz em até 50% o risco de morte súbita infantil), evite colocar seu bebê na sua cama (somente para alimentá-lo ou confortá-lo por períodos curtos), não o acomode em sofá ou poltrona. Entre todas a dúvidas e inseguranças na criação de uma criança, o sono certamente fará parte recorrente da vida dos pais. O papel dos pais é fundamental em diversos quesitos. Portanto, informe-se, discuta o assunto, e, procure um médico especialista. Afinal, sua noite tranquila pode depender de que suas crianças “sonhem com os anjinhos”.

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