CULTURA E VARIEDADES

Show de Truman e a realidade em jogo

game

“Os jogadores de videogame estão cansados da realidade.” É assim que Jane McGonigal inicia seu livro A realidade em jogo (2012). Nos 20 anos de Show de Truman, trago uma reflexão, ainda muito relevante, ligada ao entretenimento X realidade.

Show de Truman é um dos maiores filmes já realizados no cinema – simples assim. Mal compreendido na época de seu lançamento, ele foi esquecido de premiações, como o Oscar, por conta de filmes que foram mais felizes no marketing. O drama, protagonizado por Jim Carey, conta sobre um personagem que não sabe que está em um reality show, o qual ainda evoca debates. Outro ponto de vista, residia na crítica da mídia televisiva ou do entretenimento supermidiático, que levava pessoas a passarem horas observando a vida de um sujeito em uma cidade construída ao seu redor, com atores interpretando papéis ao longo de uma vida inteira, numa realidade tão bela, limpa e perfeita.

Ou seja, até que ponto a televisão virou um escape para encontrar satisfação na ficção, onde o herói representa os anseios da sociedade e com um propósito em sua jornada? Retomar este ponto de vista 20 anos depois e olhar para os games é, justamente, para refletir como hoje as pessoas têm feito um movimento similar, com um entretenimento diferente. Segundo Edward Castronova, estamos vivendo um verdadeiro “êxodo em massa” para os mundos virtuais. Pesquisas mostram que cada vez mais pessoas estão investindo seu ganha pão em sustentar uma vida virtual, simplesmente porque, “a realidade, em comparação aos jogos, se esgotou” — McGonigal. A provocação da escritora e game designer, diferente do que pode parecer, não reside em criticar este movimento, mas em analisar como ele deve ser refletido e pode ser positivo, pois os jogos têm um potencial de interação que a TV tradicional não traz, como construir valores nestes ambientes. A autora traz uma questão interessante: “e se de cidíssemos usar tudo que aprendemos sobre jogos para consertar o que a realidade tem de errado?”.

Algum leitor vai pensar de cara em games que resolvem os problemas na base da violência, mas não é sobre estes games que ela está falando. Mas sim, de jogos inteligentes, instigantes, criativos, que estimulam o raciocínio ao invés de consumi-lo. Existe sim, um grande número destes games por aí, convidando jogadores para experimentá-los, da mesma forma que a TV traz produções, ao mesmo tempo, questionáveis e lindas, que podem ensinar muitas coisas. Faltaria desenvolver a capacidade crítica de fazer boas escolhas, vislumbrando encontrar as melhores práticas. Para quem quiser investir mais neste debate recomendo Jogador Nº1 (Ready Player One, 2018), o mais recente filme de Steven Spielberg, que aborda justamente os mundos virtuais dos jogos e a construção de valores dentro deles, transformando o mundo real.

 

Hilario Junior: Bacharel em Comunicação, especialista em Cinema, mestre em Comunicação Social e doutorando em Ciência da Comunicação

Sobre o autor

Flash Vip

Flash Vip

Revista catarinense com foco em cultura, comportamento, variedades e o que mais for pautado pelo cotidiano.

Deixe seu comentário

Gestor Box