DESTAQUE MODA E BELEZA

Roupa não tem gênero

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Como a moda sem gênero vem se difundindo na vida das pessoas e porque as grandes marcas começaram a se envolver no assunto.

por Henrique Silvani

Quem nunca se interessou por determinada peça de roupa de um segmento dito como contrário ao seu gênero? Aquele look ou acessório de uma loja e ficou na dúvida se era ou não da sua seção?Acontece que as marcas estão tomando atitudes e tornando essa divisão menos perceptível em nossas experiências como consumidores, trazendo o debate à tona e criando campanhas que demonstram um novo discurso.

O mercado da moda como conhecemos vem passando por diversas transformações na última década. Com o advento da internet, novas tendências surgiram e se difundiram, tornando pauta assuntos que alguns anos atrás não tinham discussão, como mercado sem gênero ou agênero. Ele consiste basicamente em quebrar as barreiras do masculino e feminino, buscando uma perspectiva na qual as pessoas possam se expressar de forma livre, utilizando das mais diversas maneiras de se vestir, transitando entre seus gostos pessoais e experiências.

Jaden Smith foi protagonista da coleção feminina da Louis Vuitton primavera/verão 2016

Mesmo parecendo uma tendência nova, que surge principalmente no mercado fast fashion, essa questão já existe há alguns anos, com uma trajetória desenvolvida historicamente na sociedade. A utilização de peças- -chave começou a despontar no vestuário após os anos 1960, gerando uma grande mudança, principalmente no vestuário masculino, que começou a abusar das estampas chamativas, com modelagem ajustada em peças coloridas, diferente de quando a moda girava em torno da alfaiataria e do uniforme.

A partir daí, impulsionado pelo movimento pop da indústria musical, a discussão de moda e gênero começou a ficar mais forte. Com uma estética mais informal tomando conta dos guarda-roupas, a utilização de adereços femininos por homens começou a se tornar mais frequente, adotando o uso de maquiagens, roupas e acessórios.

Porém, isso não ocorreu apenas para os homens. Esse paradigma já tinha sido colocado em cheque no trabalho de Coco Chanel que, em meados do século XX, propôs novos aspectos às características das roupas femininas, incorporando elementos da alfaiataria masculina, como calças, blazers e camisas, mudando o conceito de vestuário da época.

Uma nova fase

Entre os anos 1980 e 2000, as marcas começaram a adotar um novo discurso que se baseia, basicamente, no estilo de vida das pessoas, no qual a moda passou a se tornar um complemento. A vaidade deixou de ser algo associado apenas à figura feminina e a imagem do metrossexual se apropriou dos homens, ampliando o diálogo, tendo em vista a inserção de produtos como acessórios e cosméticos no cotidiano.

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É um fato perceber que as marcas se preocupam em atender as expectativas da sociedade, além de apenas comercializar produtos, estão buscando formas de gerar valor por meio de posicionamento e compromisso com assuntos que estão em nosso cotidiano. Basta saber se haverá uma continuidade desse trabalho ou se é apenas mais uma tentativa do comércio mundial, em buscar novos consumidores por meio de campanhas publicitárias.

O assunto voltou ao mercado há alguns anos, buscando autenticidade e autoexpressão. Nesse contexto, é um tema que tem seus altos e baixos no passar das estações e das tendências, pela força de alguns movimentos sociais e a quebra de paradigmas culturais. Na campanha de primavera/verão 2016 feminina, a Louis Vuitton teve Jaden Smith como modelo. O artista foi um dos protagonistas da temporada, trazendo o debate à tona, fazendo que a grife demonstrasse uma posição favorável à desconstrução de gêneros na moda.

A Galo Solto é uma marca para homens que amam a liberdade de usar saia. @galosoltosaiasmasculinas

A Galo Solto é uma marca para homens que amam a liberdade de usar saia. @galosoltosaiasmasculinas

Já no mercado nacional, existem diversos precursores buscando conversar com o mercado e com os movimentos políticos e sociais. As marcas de varejo incorporaram o discurso e, no mesmo ano, a C&A lançou a campanha “Misture, ouse, divirta-se”. Embora tenha classificado em seu site as peças por sexo, envolveu modelos que utilizavam peças-chave, conversando entre os estilos, pensando em um vestuário sem padrões. E neste ano, o Mercado Livre, criou uma seção exclusiva com itens sem gênero e convidou as marcas a aderirem a ideia e não rotularem seus itens, mostrando que o debate ainda está de pé.

 

 

 

 

 

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