COMPORTAMENTO DESTAQUE

Primeira Parada LGBT de Chapecó

Foto Suellen Santin | Coletivo Tereza
Foto Suellen Santin | Coletivo Tereza

Aconteceu na tarde do último domingo (24), a 1ª Parada de Luta LGBT do Oeste Catarinense. O evento, organizado pela União Nacional LGBT – UNA Chapecó, reuniu centenas de pessoas na avenida Getúlio Vargas com o intuito de dar visibilidade às lutas da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), pelo fim do preconceito e pelo simples direito de amar. Abaixo você confere o relato do jornalista Luiz Barp, durante este momento de celebração da diversidade. 

A primeira bandeira com as cores do arco-íris que chegou nas costas de um LGBT à Praça Coronel Bertaso anunciava que o domingo (24) seria histórico. Entretanto, acredito que até o ativista mais esperançoso não imaginava que, pouco a pouco, um espaço tão tradicional de Chapecó fosse se tornar palco do primeiro grande grito daqueles ainda tão desprezados. Se o dia foi planejado para evidenciar a diversidade, até o sol colaborou. Sem uma nuvem no céu, ele fazia brilhar aqueles rostos sempre escurecidos pela sociedade normativa, que dificilmente reconhece e aceita o diferente.

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A 1ª Parada de Luta LGBT do Oeste Catarinense mais pareceu a libertação daquela voz por tantos anos encarcerada. Houve cores, glitter, purpurina, drag queens, dança e bate cabelo. Todos aqueles estereótipos – belos, por sinal – da nossa comunidade que aparecem na televisão uma vez ou outra. Mas também houve quem só queria estar ali para se sentir aceito pelo que é. Sem o medo que nos obriga a andar com as pernas abertas para parecer mais homem ou com um salto alto para estar mais feminina e servir ao homem.

13840465_1079206932126316_665927484_oA diversidade realmente estava presente. Do branco ao negro. Do rico ao pobre. Do afeminado ao discreto. Reconhecendo que, até mesmo em nosso grupo, existem divergências e discrepâncias, digo que ali elas foram deixadas de lado. O que vi no evento, que pouco a pouco me surpreendia, foram os LGBTs abraçados por uma única causa: o pedido de respeito e igualdade. A presença dos heterossexuais cisgênero foi uma lantejoula à parte. Sentir-se aceito e apoiado, com certeza, nos deu mais força para encarar a avenida Getúlio Vargas.

A abertura da grande bandeira com as cores do arco-íris talvez tenha sido o momento mais emocionante. Enquanto ela era carregada durante nossa caminhada, passou pela minha cabeça todos os momentos em que pensava se, algum dia, poderia gritar que era gay sem o medo de ser julgado. Todos gritamos! Gritamos que éramos gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. Gritamos que beijamos homens e/ou mulheres e isso só diz respeito a nossa vontade.

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Um ponto que pode ter passado despercebido por muitos, mas me chamou atenção, foi a minuciosa organização. Não somente a organização da União Nacional LGBT – Chapecó, que por sinal está de parabéns, mas a organização de cada um. Já acompanhei diversas manifestações, mas em poucas vi o lixo ser jogado dentro da lixeira. Em poucas vi tamanho cuidado com o carro que estava estacionado na rua. Talvez por estarmos há tantos anos pedindo por respeito, aprendemos a respeitar até mesmo aquele que não pode pedir para ser respeitado.

Certamente durante as quatro horas que passamos unidos deve ter havido um ou outro rosto franzido como sinal de indignação. Estamos muito longe de uma sociedade livre de preconceitos. Mas pelo menos no domingo esses rostos em nada ofuscaram a importância de estarmos juntos e mostrarmos que existimos. Os próximos passos individuais e coletivos são incertos, mas certamente estarão mais firmes. Chapecó nos viu sair do armário e avisar: para lá nós não voltaremos!

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