DESTAQUE NEGÓCIOS E TECNOLOGIA

Papo de bolsa

Beatriz Aguilar 02

Pensando em ajudar as pessoas a desvendar os mistérios dos investimentos na bolsa de valores, a administradora Bea Aguilar criou um canal no Youtube para gerar conteúdo ao público ávido por informações econômicas confiáveis. Em pouco mais de um ano, o papo de bolsa já contabiliza mais de 116 mil inscritos e o que iniciou como um plano B para o tempo ocioso já se tornou uma empresa de sucesso e com muito mais a crescer.

FLASH VIP: Como surgiu a ideia de fazer o canal e tratá-lo como um negócio, desde o princípio?

BEA AGUILLAR: O canal começou sem querer, para me ocupar. Passei muito tempo trabalhando em banco e estava infeliz. Quando larguei meu emprego, eu fiquei bastante ociosa. Tinha tempo livre e não sei lidar muito bem com o ócio. Tinha um grupo de meninas que ajudava com dicas de como investir no mercado e criei um canal para ficar mais fácil de atender as dúvidas de todo mundo. Então, meio sem querer, ele foi crescendo, no boca a boca. E o que era um plano B – para eu ocupar o meu tempo me sentindo útil para outras pessoas -, acabou se tornando o plano A. Porque hoje, no fim das contas, o meu foco está muito mais no canal do que investindo na Bolsa de Valores.

FV: Você já trabalhava em banco e já tinha esse conhecimento em investimentos. Ou sua vivência com esse mercado veio antes disso?

BA: Meu pai foi a minha maior influência. Ele está há 30 anos investindo no mercado, então ele tem essa coisa da Bolsa de Valores desde sempre. A nossa educação em casa sempre foi essa: vamos cuidar do nosso dinheiro, mas vamos investir esse dinheirinho. E claro que trabalhar oito anos em banco também ajudou muito. Sempre tive contato com essa área, cuidei e investi no meu dinheiro. Então isso veio natural para mim. Quando fui criar o canal, pensei em falar sobre um assunto que eu entendia e era prazeroso para mim. Foi genuinamente para me sentir útil e me ocupar. Falar de dinheiro, mercado e Bolsa de Valores é algo que me acompanha desde sempre. Então foi nisso que resolvi investir.

FV: Sua intenção foi focar em um conteúdo específico, não abordando finanças pessoais, indo direto para a bolsa e trazendo informações de qualidade para o seu público?

BA: Tem vários canais – que são muito bons – que tratam de finanças pessoais. E esse é o primeiro passo: como lidar com o seu dinheiro.Sempre vamos trabalhar em três pilares: você precisa ganhar mais, gastar melhor e investir melhor. E a minha parte está no “investir”. Tem os passos que as pessoas vão percorrer antes de chegar ao meu canal, que é bem específico, principalmente, em renda variável – que nós brasileiros não estamos acostumados, por achar que é um risco muito alto. Mas também não é para menos, pois nós sempre tivemos uma taxa de juros muito alta em renda fixa. Então, para nós, é muito melhor estarmos ganhando dinheiro em renda de juros alta, sem correr risco, do que ir para Bolsa e correr o risco de perder dinheiro. Olhando para esse lado, vi que não tinha muito conteúdo sobre Bolsa de Valores, pelo menos não tinha nenhuma mulher falando disso, pois ainda é um universo bem masculino. Se você pegar hoje os investidores da Bolsa de Valores, temos 20% de CPFs femininos – isso que cresceu bastante nos últimos cinco anos, pois trabalhávamos na faixa dos 12%. Então a proporção de homens e mulheres no mercado é bem díspar.

FV: E principalmente por ser um mercado majoritariamente masculino, você sentiu algum tipo de resistência do público levar o seu canal à sério?

BA: Em partes. Muitas vezes, as pessoas entravam no canal mais pela curiosidade do que pelo conteúdo em si. Mas aí elas assistiam alguns vídeos e viam que talvez eu soubesse do que eu estava falando e poderia, sim, ajudá-las. No início, a ideia era falar com um público mais feminino, mas isso nunca aconteceu. Hoje, 13% do meu público é feminino, o restante é todo masculino. Isso que o nome é Papo de Bolsa. No início teve um certa resistência ou pessoas falando que era uma mocinha que não sabia do que falava. Mas com o tempo o pessoal foi ficando e vendo que eu tinha algo a agregar. Conforme o canal foi ganhando corpo e ficando mais profissional, tanto na produção de vídeo e de conteúdo, aí o pessoal começou a levar a sério e não duvidar tanto da minha capacidade.

FV: E em pouco tempo, pouco mais de um ano, e no mar de opções e possibilidade que é o Youtube, o seu canal atingiu um número bem expressivo de inscritos. Você imaginou que atingiria essa marca de mais de 100 mil seguidores tão cedo?

BA: Chega a ser bizarro! Porque, quando eu criei o canal, tinha como objetivo chegar aos 20 ou 30 mil seguidores, porque eu entendia que o número de CPFs na Bolsa de Valores não são altos. Hoje, temos em torno de 820 mil CPFs na Bolsa. Não estava buscando nem 5% disso. Então, por alguma razão deu certo e tenho mais que os 5% que almejava. E hoje eu enxergo diferente, acho que o canal ainda tem muito mais o que crescer. Tenho uma meta de chegar aos 150 mil neste ano. Tomara que aconteça. Porque isso mostra que tem mais gente se interessando pela Bolsa de Valores, mas já cresceu muito mais do que eu esperava que poderia crescer.

FV: Além dos seus seguidores, você também vem sendo reconhecida por pessoas do ramo, participando de congressos e colaborando com outros canais de finanças.

BA: Sim, isso é muito bom e importante para o crescimento. E melhor que isso é ver que alguém olhou para o seu trabalho e valorizou o que você fez. O canal do Primo Rico (outro canal de finanças, que conta com mais de 2 milhões de inscritos) entrou em contato comigo quando tinha uns 2 mil seguidores e disse que se interessou pelo meu conteúdo. A partir daí ele me ajudou bastante, na parte de analytics, gravar um colab (vídeo em colaboração com outro youtuber) para alavancar o canal e coisas nesse sentido. Então esse reconhecimento foi muito importante, não apenas para massagear o ego, mas para alavancar o negócio. Acho que o canal nem teria esse tamanho que tem hoje, se não fosse pela ajuda dessas pessoas.

FV: E para criar o canal, como foi? Além do seu conhecimento e expertise, o que mais precisou?

BA: Não fazia ideia do que precisava para fazer um canal no YouTube. Pensava que precisaria de uma câmera, um microfone e wifi. Talvez saber um pouquinho de edição. No início até começa assim. Mas com o tempo, conforme você cresce, precisa profissionalizar. Porque quando começar a crescer, você terá patrocínios, e pra ter patrocínios é preciso ter uma empresa, porque você está prestando um serviço para essas empresas, está fazendo o marketing delas e trazendo produtos para vender no seu canal. E para isso tem que criar um CNPJ. E quando a sua demanda de vídeos ficar muito grande, você vai precisar de um videomaker, e outras demandas. O conteúdo em si não é só o canal do YouTube. Vai ter um blog, um Instagram, dentre outros, e vai precisar de parceiros para ajudar a escrever artigos. Então, algo que eu nunca imaginei que iria me gerar dinheiro e seria bem mais simples, virou completamente o contrário. Mas a parte boa é que fica bem mais organizado. Como virou um plano A, eu trato como uma empresa. Tenho gastos, tenho funcionários, então preciso também ter receita.

FV: E desta forma você também tem ajudado as pessoas a investirem melhor seu dinheiro?

BA: Esse sempre foi meu objetivo, explicar para as pessoas que Bolsa de Valores não é algo extremamente arriscado ou um bicho de sete cabeças, desde que a gente saiba o que está fazendo. Porque são poucos que se interessam pelo assunto Bolsa de Valores, mas quem quer, busca aprender. E eu gosto de ensinar e ver a evolução das pessoas.

Sobre o autor

Carol Bonamigo

Carol Bonamigo

Jornalista, pós-graduada em Cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app pra organizar todas as séries que assiste.

Deixe seu comentário

Gestor Box