CULTURA E VARIEDADES

O futuro que todos tememos

Faithful

Através da ficção, obras literárias, televisivas e cinematográficas nos alertam para o possível caminho que a humanidade tem traçado.

Ao mesmo tempo em que nunca tivemos tanta diversidade sendo representada no mundo, vivemos, gradativamente, uma retomada do conservadorismo. Através de ascensões políticas, discursos organizados e manifestações populares, temos testemunhado, pouco a pouco, uma tendência reacionária. E as artes nunca estiveram alheias aos movimentos sociais. Em 1949, George Orwell já nos falava do “Grande Irmão” que vigiaria os passos da humanidade, na sua obra 1984. Dezessete anos antes, o inglês Aldous Huxley antecipou o nosso futuro sendo condicionado pela manipulação psicológica e tecnológica, em Admirável Mundo Novo. Ambos os livros foram fonte de inspiração para inúmeras outras adaptações.

E agora, outra produção tem dado o que falar, através da profetização de um futuro distópico. Baseado no romance homônimo de Margaret Atwood, escrito em 1985, a série The Handmaid’s Tale (ou, em português, O Conto da Aia) apresenta um mundo no qual a taxa de natalidade diminuiu consideravelmente, ameaçando a perpetuação da própria humanidade. Mas, ao invés de recorrer à ciência e tecnologia, o que temos é uma sociedade retrógrada, regida pela religião, o medo e a intolerância. Neste novo mundo, as mulheres identificadas como férteis tornam-se “aias”, são condicionadas à obediência, privadas de suas famílias e seus próprios nomes e são entregues a casais de alto poder aquisitivo para servirem como “incubadoras”, cedendo ao patriarca em um bizarro estupro ritualizado para que possam engravidar. Essa produção original do serviço de streaming Hulu (principal concorrente da Netflix) encontra em suas poderosas atuações a força necessária para nos fazer chocar a cada cena.

Elisabeth Moss, Alexis Bledel, Samira Wiley e Joseph Fiennes nos entregam interpretações primorosas que, somadas à linda fotografia e direção de arte, constituem uma verdadeira obra prima. A primeira temporada, composta por 10 excelentes episódios, nos mostra, através de flashbacks, como a humanidade permitiu (sim, permitiu) chegar a esse ponto. A segunda, ainda em exibição, dá continuidade à narrativa. O resultado foram oito prêmios Emmy e dois Globos de Ouro – incluindo Melhor Série Dramática e Melhor Atriz, para Elisabeth Moss, em ambas as premiações.

Sobre o autor

Carol Bonamigo

Carol Bonamigo

Jornalista, pós-graduada em Cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app pra organizar todas as séries que assiste.

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