CULTURA E VARIEDADES

O estado da arte dos videogames 15 anos atrás

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O ano de 2003 pareceu qualquer outro no universo dos videogames, mas olhando mais de perto, acontecimentos muito peculiares surgiram junto com a FV e hoje conseguimos ter uma visão mais clara sobre como este ano foi especial.

ACNN/Money noticiava com assombro que a indústria dos videogames custava US$ 10 bilhões. O que dizer de uma indústria que atualmente está quase ultrapassando a marca de US$ 100 bilhões e que superou em muito as cifras alcançadas pelo cinema e pela música, no que se refere a entretenimento? Um dos expoentes deste fenômeno crescente teve seu primeiro título em 2003: Call of Duty. Quinze títulos depois (um por ano, só fazer as contas), é um dos capazes de fazer gamers comprarem console para ter apenas este jogo na bandeja, representando uma comunidade com milhões de jogadores ao redor do mundo. O que começou no PC, hoje está em praticamente todas as plataformas de jogo, incluindo os dispositivos móveis. Falando em dispositivos móveis, este ano também teve lançamentos interessantes no que se refere a portabilidade.

A Sony lançava o primeiro PSP (PlayStation Portable), uma promessa de uma experiência muito próxima do que os consoles da empresa já faziam. “Minigames” ou dispositivos portáteis para se jogar videogame já existiam, mas a promessa era grande: muita resolução em gráficos muito próximos do PS1, fora a sempre presente seriedade dos jogos da Sony, numa máquina potente. Os celulares já tinham sua importância reconhecida (nem perto do que é hoje) e games já apareciam em algumas versões coloridas, embora ainda tratados com desdém ou como um acessório só para mostrar que os aparelhos podiam muitas coisas. A Nokia, no entanto, queria mais. Além de ter sido a primeira a trazer um game em celular (se pensou naquele game da cobrinha que ia aumentando, pensou certo), ela viu o potencial de os celulares serem antes de um mero aparelho para comunicação, um dispositivo de entretenimento maior e melhor. Em 2003, a Nokia lançou o que hoje é um artefato de colecionador de consoles de videogames: o N-Gage.

O aparelhinho já parecia uma máquina de jogo desde o início, com a vantagem que fazia o que um celular prometia. Infelizmente o plano não durou e mesmo o PSP está caindo em desuso, mas o que sobreviveu foi o conceito de que games e dispositivos móveis combinam (e muito). Para concluir, 2003 marcou o início do prêmio BAFTA para videogames. A Academia Britânica de Artes de Filmes e Televisão até então só premiava mídias tradicionais já reconhecidas com o potencial de produzir artes audiovi suais. Neste ano, esta importante academia incluía todo um segmento de categorias para premiar o que de melhor estava se produzindo na indústria de entretenimento que a CNN/Money se assombrava ao demonstrar em números bilionários. De lá para cá foram 15 anos de belos e relevantes videogames, cada vez mais reconhecidos como arte. Nada mal para um ano que parecia ser como qualquer outro, não?

 

Hilario Junior é bacharel em Computação, especialista em Cinema, mestre em Comunicação Social e doutorando em Ciências da Comunicação

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