COMPORTAMENTO

Novas Organizações ou Arranjos Familiares

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Que amor é esse?

O amor não tem sexo, não tem limites, não tem fronteiras, não tem cor e sim “escolhas”. Esta, a princípio, parece ser uma afirmação estranha e chocante. Vocês poderiam dizer ou pensar: “essa mulher está  ficando louca”. Concordo que de médico e louco todos temos um pouco; eu diria que bom!

Mas diria também que essa afirmação é muito verdadeira, pois o amor corresponde ao sonho de felicidade de todos nós, tanto que uma parcela de felicidade só pode se realizar com o Outro – independente de quem seja, isto é, esposo, esposa, parceiro, parceira, namorado, namorada, ficante, amigo, amiga, e tantos outros nomes que poderemos pensar ou dar. Quero dizer com isso, que o amor está presente em todas as relações humanas por mais que, em alguns momentos, não nos demos conta, ou negamos, ignoramos, ou fizemos de conta que ele não existe, ou que o Outro não existe. Mas uma coisa é muito certa: ninguém pode ou consegue “viver sozinho”!   

Com isso, percebemos também que a estrutura familiar teve modificações. E estas se deram por muitos fatos, entre eles, que acho importante mencionar são:

*A descoberta e a disseminação de métodos contraceptivos, que permitiu o início do planejamento familiar, deixando a mulher com mais liberdade, já que não tinha que cuidar de todos os filhos que viessem. A pílula permitiu desvincular a função reprodutora da atividade sexual.

*Outro fato, foi a saída da mulher para o mercado de trabalho, que modificou totalmente o seu lugar dentro da família. Essas mudanças provocaram alterações no relacionamento dos casais, a mulher conquistou uma independência econômica que lhe permitiu uma relação mais simétrica com seu parceiro e de menos submissão.

*Os resultados da engenharia genética produziram a possibilidade da reprodução assistida (inseminação artificial, bebê de proveta).

*O incentivo a adoção.

*E a separação/divórcio dos casais rompeu com o paradigma do: Casamento  = sexo = procriação.

Decorrente destes fatos, o mito da virgindade caiu. A concepção não mais decorre exclusivamente do contato sexual e o casamento deixou de ser o único reduto da conjugabilidade.

 O conceito de família precisou e continua precisando ser reinventado a todo momento. Dentro dessas reinvenções encontramos:

*A família constituída por pais e filhos (Uniões estáveis);

*A Família unipariental (mãe e filhos e/ou pai e filhos);

*A família que nasce de “produções independentes”;

*Os recasamentos;

*Famílias recompostas e ou reconstituídas;

*Os tios e/ou os avós, que criam seus sobrinhos e/ou netos;

*Famílias homoafetivas que nascem da união de pessoas do mesmo sexo, que optam a ter filhos seja pela via da engenharia genética ou pela via da adoção;

A visão pluralista das relações interpessoais levou à necessidade de buscar a identificação de um diferencial para definir Família. Não se pode deixar de ver no afeto, no desejo, os elos que enlaçam sentimentos e comprometem vidas. O envolvimento emocional, o sentimento do amor que aproxima “almas”, enlaça vidas e embaralha matrimônios, gerando responsabilidades e compromissos mútuos revelam o nascimento destas famílias, que merecem abrigo nos mais diversos segmentos profissionais e sociais.

Existindo um núcleo familiar, “independente” de suas constituições. O que interessa é o elo de afetividade que envolve “Pais e filhos” ou que envolvem as pessoas que cumprem as Funções Paternas e Maternas. Que podem ser cumpridas pelas pessoas que criam as crianças, adolescentes e jovens que tornam-se seus “filhos”. Para assegurar a proteção deles, essas pessoas precisam assumir os encargos familiares.

Para o estabelecimento do vínculo de parentalidade, basta identificar quem desfruta da condição de pai e de mãe, quem o filho considera pai e mãe, independente da realidade biológica, presumida, legal ou genética. Também a situação familiar dos “pais” em nada influencia na definição de paternidade e ou maternidade, pois como sabemos a partir da psicanálise, a família não é um grupo natural, mas um grupo cultural, e não se constitui apenas por um homem, uma mulher e seus filhos. A família é sim uma estruturação psíquica, onde cada um de seus membros ocupa um lugar, desempenha uma função, sem estarem necessariamente ligados biologicamente. Assim, nada significa ter um ou mais pais, serem eles do mesmo ou de sexos diferentes. O que importa é que possamos criar “os filhos(as)” da melhor forma possível independente da “constituição familiar” onde estes estão inseridos.

 
Gardenia Medeiros. Psicanalista Clínica em Chapecó e Xanxerê. Psicanalista Institucional. Psicanalista do presídio Regional de Xanxerê-SC. Coordenadora de seminários e grupos de estudos nas cidades de Chapecó e Xanxerê. Palestrante nas diversas áreas do conhecimento.

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