CULTURA E VARIEDADES DESTAQUE

Neve & Cinzas

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Desde que Tony Soprano sentou no divã da Dra. Melfi, a história da televisão mudou. O final dos anos 90 alterou a forma com que entendemos uma narrativa seriada na TV. Encabeçada pela HBO, a Era de Ouro da televisão passou a retratar personalidades cinzentas. São com personagens falhos e imprecisos que precisamos aprender a nos afeiçoar. Don Draper, Walter White, Dale Cooper e John Locke são provas disso. É formidável que, após tantas inovações no formato – me refiro à ascensão dos streamings –, as grandes produções ainda têm espaço. Capitanear fãs e criar uma expansão de mitologia que vai além da minutagem de episódio são fenômenos essenciais pro sucesso das séries.

Com Game of Thrones não é diferente e, por isso, o final pôde ter causado decepções. Mas a expectativa era toda nossa. Quando uma narrativa se expande tanto é natural que não sejam encerrados personagens e arcos tais como a audiência espera. Vou desconsiderar inconsistências de roteiro ou incoerências de personagens, Game of Thrones traz um final honesto. Nada mirabolante para extrapolar nem medíocre para cair no esquecimento. Longe disso. Precisamos aprender a valorizar as jornadas, não somente os fins. Satisfeitos ou não com o final, essa ainda é a série que nos apresentou Oberyn Martell, Ned Stark e Cersei Lannister.

É a série que provou que batalhas gigantescas não se restringem ao cinema; é a série que reuniu os amigos nas noites de domingo; é com episódios como The Laws of Gods and Men que mostram tudo que a nova televisão pode ofertar: atores, roteiro e produções de primeira. Como espectadores, houve uma transição em que passamos a deixar de lado os heróis infalíveis e começamos acostumar e aceitar as falhas dos personagens retratados, afinal são os tons de cinza que os aproximam de nós; dão vazão e dimensionalidade ao texto de seus criadores e ensinam que algumas coisas melhoram, outras pioram e está tudo bem, faz parte da jornada.

Fabrício Rangel Estudante de Design e ilustrador. Escreve sobre cinema desde 2017. Um pouco baixo para um Stormtroper

 

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Revista catarinense com foco em cultura, comportamento, variedades e o que mais for pautado pelo cotidiano.

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