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Meia Entrada: Revisitando a série favorita

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Nove anos depois, Stars Hollow continua a mesma, mas as nossas garotas Gilmore…

Todo mundo tem uma série de televisão que marcou uma fase da vida. Geralmente a adolescência, quando a opinião e percepção de mundo ainda encontravam-se em formação.
Eu, por exemplo, tenho várias, mas uma foi especial, Gilmore Girls. Por sete anos, acompanhei as garotas Gilmore crescerem. Muito antes de elas terem sido revividas pela Netflix.

Já havia comentado sobre o revival encomendado pelo serviço de streaming e toda a minha ansiedade em revisitar a pequena Stars Hollow. E digo, valeu cada segundo da espera. A criadora da série, Amy Sherman-Palladino (que nunca escondeu sua frustração em não ter sido ela a dar o desfecho final do seriado), reuniu todo o elenco original para quatro episódios de 90 minutos cada, representando cada estação do ano. A Year in the Life mostra o que aconteceu com as amadas Lorelai e Rory, nove anos depois de termos nos despedido da série.

"I smell snow"

“I smell snow”

Para quem esperou tanto tempo para rever seus personagens favoritos, é um deleite poder acompanhar durante seis horas consecutivas (se você for adepto de maratonas, como eu). Já para quem acabou de conhecer a série, pode parecer apenas quatro episódios demasiados longos. Mas está tudo ali. Os diálogos rápidos, o vício em café e a resposta a diversas perguntas. Lorelai e Luke ainda estão juntos? Como Emily está lidando com a morte de Richard (o ator Edward Herrmann faleceu em 2014)? Quem Rory escolheu, Dean, Jess ou Logan? E tantas outras incógnitas, de quem levou a vida para frente. Achei que a temporada seria mais uma homenagem à série, mas Amy conseguiu inserir todos os personagens de maneira muito discreta e fluída, como se eles estivessem sempre ali, nós que não nos encontrávamos mais com tanta frequência.

Caso não tenha assistido as temporadas anteriores, cuidado, pode haver spoilers a partir daqui…

Para quem se recorda, Rory terminou a faculdade de jornalismo e foi ser assessora da campanha presidencial do então senador Obama (sim gente, estamos bem velhos, né?!). E agora, aos 32 anos, como está a sua vida na profissão? Confesso que rola uma identificação ainda maior com a personagem por conta disso. Rory, mesmo sendo um ser humano além dos níveis normais de inteligência, não está no emprego dos sonhos. Pelo contrário, está vivendo uma frustração enorme dentro do jornalismo – algo que todos nós passamos em algum momento da nossa profissão.

Lorelai se aquietou com Luke e Paul Anka (the dog, not the person) e sua pequena pousada? As suas indagações sobre a vida conjugal e os caminhos tomados são totalmente plausíveis. Em nenhum momento quer dizer que está infeliz, mas quem nunca olhou para trás e pensou “era aqui mesmo que eu imaginei estar?”.

E o que dizer de Emily? A trajetória da matriarca em autoconhecimento após perder seu companheiro de mais de 50 anos é incrível! Com certeza, o ponto alto deste revival, para mim.

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Finalmente as quatro últimas palavras foram ditas (Amy Sherman sempre disse que queria terminar a série com uma frase específica), e soou estranho, a princípio. Depois de digerido, pareceu fazer o maior sentido do mundo, como um ciclo que se fecha. Chorei, ri baixinho, ri muito alto e chorei mais um pouco. A Year in the Life despertou muita nostalgia em mim, mas também aquele sentimento de pertencer, de que a vida não é perfeita, e está tudo bem. Coisas que apenas a sua série favorita pode despertar.

Defeitos? Sim, alguns! E quem quiser discuti-los, pode deixar nos comentários que a gente conversa junto, entre uma xícara e outra de café. 😉

Sobre o autor

Carol Bonamigo

Carol Bonamigo

Jornalista, pós-graduada em Cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app pra organizar todas as séries que assiste.

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