CULTURA E VARIEDADES

Meia Entrada: Os 13 porquês

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Série da Netflix discute os relacionamentos adolescentes e como a ação de cada pessoa pode afetar uma vida. 

Lançada no final de março deste ano, a série 13 Reasons Why, da Netflix, já nasceu com grandes expectativas. Adaptada do best seller homônimo de Jay Asher, teve como produtora a cantora e atriz Selena Gomez, simplesmente a pessoa com o maior número de seguidores no Instagram no mundo.

Este é um dado muito pertinente, uma vez que lembramos uma fala da personagem Hannah Baker (Katherine Langford), quando diz que as redes sociais nos transformaram em uma sociedade de stalkers, e nós adoramos. Logo nas primeiras cenas somos apresentados a Hannah, uma garota de 17 anos que cometeu suicídio e deixou em gravações de fitas cassete os 13 motivos que a levaram a acabar com a sua vida.

Quando começamos a história, as fitas já passaram por algumas mãos e é a vez de Clay (Dylan Minnette) ouvi-las. “Se você está escutando, então você é uma das razões”, diz a voz gravada de Hannah. A cada episódio conhecemos a novos personagens e novos porquês. Não que a série queira culpar os outros pela decisão da garota, mas mostrar que não é uma ou duas ou 12 situações que fazem com que uma pessoa quebre por completo, mas um pedacinho de cada vez, até parecer não ter mais saída. E se cada uma daquelas situações tivesse um desfecho diferente, talvez o final dela também seria mudado.

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Hannah foge dos estereótipos geralmente escolhidos para esse tipo de papel nas produções. Ela não é introvertida, não é maltratada em casa, não é tímida. Então o que faria essa menina querer tirar a própria vida? Bem, para saber isso e os desdobramentos que cada revelação tem no destino dos outros personagens, você terá que fazer como Clay e escutar atentamente a cada fita.

Além das atuações muito boas (especialmente de Minnette e Langford), a série se destaca por realmente alcançar seu público jovem, sem esquecer dos adultos, igualmente confusos – e talvez culpados em suas negligências.

83d7b2a54196156ef31d23c0f4fe26c0Por que esta é uma série importante? Ou é correto abordar suicídio tão explicitamente para os jovens? Essas podem ser algumas das perguntas que o show gerou, mas a realidade é que mais de 800 mil suicídios foram registrados em 2015 em todo o mundo (dados da Organização Mundial de Saúde). Portanto, precisamos, sim, falar sobre isso, mesmo que seja incômodo.

Tem quem diga que bullying não existe, que é só um monte de frescura. Mas é extremamente fácil se identificar com as situações vivenciadas por Hannah, especialmente se você for uma garota. Quem nunca se sentiu objetificada pelos corredores do colégio? Ignorada pelos colegas? Perdeu um amigo e até hoje não sabe o motivo? Bem, eu já. E não é nada agradável. E também não deveria ser considerado normal ou “um elogio” sofrer qualquer tipo de assédio. Pior ainda é tentar justificar o agressor, culpando a vítima.

Quantas vezes não ouvimos (ou até falamos) que “aquilo não teria acontecido se aquela menina estivesse se dando ao respeito”. É mais fácil tentar cobrir as suas filhas a ensinar valores aos filhos. Só sei que 13 reasons why fará muita gente pensar a respeito de suas atitudes. E parece que já fez. O Centro de Valorização da Vida (CVV) percebeu um aumento de aproximadamente 100% no número de mensagens de texto e ligações de pessoas dispostas a conversar sobre o suicídio, muitas delas mencionando a série.

Sobre o autor

Carol Bonamigo

Carol Bonamigo

Jornalista, pós-graduada em Cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app pra organizar todas as séries que assiste.

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