CULTURA E VARIEDADES

Meia entrada: A ficção imita a realidade

invocação do mal 2

Quando o “baseado em fatos” é o que mais assusta na tela. Não é de hoje que filmes e séries se inspiram em acontecimentos verídicos para suas produções. Vários foram os gêneros que passearam pela influência da vida real, mas poucos impressionam mais que o terror. Saber que aquilo passado na tela realmente aconteceu, torna tudo ainda mais assustador. Tomadas as devidas licenças fantasiosas, Invocação do Mal (2013) de James Wan, mostra um caso acompanhado pelos investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren. O casal realmente existiu e foi responsável pelo treinamento de vários demonólogos. Dentre suas investigações mais famosas estão a boneca Annabelle e Horror em Amityville, ambos também adaptados para os cinemas. Um dos longas mais famosos do gênero, O Exorcista (1973), de William Friedkin, também teve sua inspiração em uma história real, uma possessão de um garoto de 13 anos. Mas se preferir filmes sem a presença de entidades sobrenaturais, Os Estranhos (2008) faz prender a respiração. Escrito e dirigido por Bryan Bertino, teve sua fonte de referências uma recordação da infância do próprio diretor e os crimes cometidos por Charles Manson. Na trama, um casal é aterrorizado por três pessoas mascaradas durante uma noite que parece não ter fim.

Na TV

Uma das produções mais conhecidas de Ryan Murphy, American Horror Story, traz em cada temporada uma inspiração em histórias, lendas urbanas ou eventos reais norte-americanos. Apresentada em forma de antologia (com um arco fechado e trazendo uma nova trama a cada ano), em sua sétima temporada – a única sem a presença de elementos sobrenaturais – aborda fanatismo e fobias, através de um culto que pretende dominar pelo medo. AHS Cult mescla vários líderes de cultos que aterrorizaram os EUA na personalidade de seu protagonista, Kai Anderson (Evan Peters), dentre eles Jim Jones, Marshall Applewhite e o já citado Charles Manson.

AHS Cult

Suicídio em massa e assassinatos brutais aleatórios estão no currículo dos ídolos, cujos feitos são contados como “histórias de dormir” para os membros do culto de Kai. O fator que desencadeia a trama é a eleição de Trump e o discurso extremista de medo, ódio e segregação para fazer a “América grande novamente”. O que parece ser uma forte crítica à direita conservadora acaba se tornando uma grande exposição de todo tipo de radicalismo e intolerância, enquanto Kai recruta seguidores de outras ideologias políticas, como simpatizantes da feminista Valerie Solanas (na série interpretada por Lena Dunham), autora do SCUM Manifesto, uma crítica ao patriarcado na qual sugere uma sociedade livre, através do extermínio dos homens. Valerie ganhou mais repercussão após a tentativa de assassinato do pintor e cineasta Andy Warhol, em 1968.

Sobre o autor

Carol Bonamigo

Carol Bonamigo

Jornalista, pós-graduada em Cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app pra organizar todas as séries que assiste.

Deixe seu comentário

Gestor Box