CULTURA E VARIEDADES

Lute como uma garota

literatura2

O ano é 2018, mas, olha, às vezes é preciso recorrer ao calendário para confi rmar. É tanto alarde sobre retrocessos que não dá para acreditar que estejamos, de fato, no ano em que estamos. Por isso, Lute como uma garota surge neste espaço como uma forma de lembrar a história que muitos por aí parecem ter esquecido. Escrito em parceria com a jornalista Fernanda Lopes e a escritora, editora e feminista Laura Barcella, Lute como uma garota: 60 feministas que mudaram o mundo faz um resumo da vida e da obra de mulheres que fi zeram a diferença para nós que cá estamos desfrutando desta tal liberdade, direitos e justiça.

A obra traz perfis de visionárias que, já no século XVIII, brigavam para poderem estudar, depois trabalhar e, quem sabe, num futuro escolher seus próprios maridos. Louco né?! E loucas elas eram julgadas tanto por homens como por outras mulheres que, por medo e covardia, preferiam deixar as coisas como estavam. Que bom, mas que bom mesmo, que sempre existiram estas loucas e que cada uma, a seu tempo, obteve tantas melhorias para o mundo. No livro, temos nomes bastante conhecidos como Mary Wollstonecraft (a primeira feminista),

Frida Kahlo, Simone de Beauvoir, Rosa Parks, Yoko Ono, Madonna e Beyoncé, além de 15 brasileiras, dentre elas Nísia Floresta (considerada a primeira feminista brasileira), Chiquinha Gonzaga, Anália Franco, Clarice Lispector e Maria da Penha. E se lá atrás a luta começou pelo direito ao estudo, hoje existe para tentar equalizar os anos de machismo que delegaram papeis subalternos às mulheres, como se fossem incapazes de desenvolver e executar determinadas ações; é para tentar mostrar que, mesmo usando roupa curta, a mulher nunca é culpada pelo seu estupro; é para tentar mostrar que nenhum homem pode bater na mulher só porque tem com ela um laço religioso ou legal; é para tentar esclarecer que nós temos o direito de falar e agir sobre nosso corpo, ele é nosso. Termino, assim, a leitura, mais consciente do papel que cada uma de nós tem em discutir e não aceitar o machismo seja na forma que for.

Seja na piada pronta, na não contratação pelo simples fato de ser mulher, na violência (doméstica e urbana – existe esse termo?!), nos julgamentos e nos inúmeros preconceitos que sofremos. Como cita Nana Queiroz, na apresentação do livro: “Celebrar o passado é responsabilidade de quem está comprometido com a construção do futuro. Essas mulheres sofreram, e seu sofrimento é hoje o nosso festejo para podermos nelas nos inspirar”.

literatura

LUTE COMO UMA GAROTA | autora Laura Barcella e Fernanda Lopes | editora Cultrix | preço sugerido R$ 45

Silvane Loro: Jornalista e editora do blog Prazer Literário

Sobre o autor

Flash Vip

Flash Vip

Revista catarinense com foco em cultura, comportamento, variedades e o que mais for pautado pelo cotidiano.

Deixe seu comentário

Gestor Box