CULTURA E VARIEDADES DESTAQUE

Lugar de menina é no vídeo game

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Por Hilario Junior

Primeiro, o acaso na história dos videogames aconteceu no surgimento dos fliperamas, que passaram a ocupar bares para oferecer alternativas à sinuca. Na época, as já mulheres eram criticadas ao visitar estes ambientes. Desde então, o longo caminho estereotipado, agora está sendo corrigido na forma e conteúdo com que os games vêm sendo produzidos, o que já é perceptível em pesquisas.

A Pesquisa Game Brasil*, em sua 5ª edição, ao considerar a definição de gamer como “aquele que usa os jogos digitais como sua principal plataforma de entretenimento”, vem apontando nos últimos anos que há mais mulheres jogando videogames que homens por uma leve diferença. Há alguns hábitos diferentes, como o fato de homens gostarem mais de jogos difíceis com ficções emocionalmente negativas e mulheres gostarem de jogos mais estratégicos ou intuitivos, além de preferirem plataformas mobile ao invés de console. A pesquisa mostra que mulheres gostam e jogam Fifa Soccer tanto quanto homens, ou seja, qualquer tentativa de segmentar tende a falhar.

Fora o fenômeno quantitativo é preciso falar sobre o conteúdo dos videogames que vem trazendo cada vez mais narrativas centradas em mulheres fortes e menos sensualizadas ou apenas como a princesa em apuros, como The Last of Us, Resident Evil e Horizon Zero Dawn. Quando o assunto é representatividade feminina, Tomb Raider ao mesmo tempo que ele foi pioneiro ao trazer uma heroína como protagonista em videogame de aventura e ação, a personagem era um tanto exagerada em enfrentar todos os desafios com seus shorts curtos e regatas que realçavam os peitos. Na versão mais recente, com saga que começou no videogame de 2013 e já teve duas sequências, a personagem é mais real e humana, menos explorada em sua sensualidade e mais em suas motivações e luta por sobrevivência, bem como num vestuário mais condizente com os desafios do jogo. Para quem não acompanha os videogames, pode conferir a diferença nos filmes adaptados outrora com Angelina Jolie no papel principal e no recente filme de 2018 com Alicia Vikander. O mudança é praticamente a mesma. Outro fenômeno se deu no jogo Battlefield V que trouxe uma mulher na capa e trouxe personagens femininas jogáveis.

A internet se dividiu entre os fãs que não gostaram e expressaram seu ódio em redes sociais e fãs que se viram representadas, ou ainda, homens que viram a plausabilidade dessa inserção, já que o universo gamer não é exclusivo deles e porque, de fato, houve muitas mulheres na Segunda Guerra Mundial em papéis para lá de importantes. O gerente geral do estúdio DICE, Oskar Gabrielson, deixou claro que a intenção é a representação, seja de fatos históricos, seja de pessoas e os games do estúdio serão cada vez mais “inclusivos e diversos”. Prova que os videogames passarão por estigmas mais rapidamente que outras mídias e, possivelmente, provejam exemplos dignos de nota.

 

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