Lixo Zero Chapecó

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Decreto estabelece que a Prefeitura de Chapecó e suas secretarias municipais se tornarão efetivamente Lixo Zero, até 2020.

Consumir conscientemente, aproveitar o máximo dos produtos adquiridos e descartar de forma correta. Essas são as etapas básicas que deveriam ser seguidas por todos. Desta forma, é evitado o desperdício, preservado o meio ambiente e estimulada a economia. Mas parece que é um pouco mais difícil despertar a consciência ambiental na população. Em uma cidade cuja implantação da coleta seletiva com sistema automatizado foi pioneira em Santa Catarina, é de se imaginar que estaríamos mais avançados nessa consciência coletiva, mas a realidade é bem diferente.

De acordo com a Secretaria de Infraestrutura Urbana de Chapecó, aproximadamente 16 toneladas de resíduos vão gerar renda para cerca de 140 famílias cadastradas através das associações de catadores de materiais recicláveis, diariamente (dados do final de 2017). Entretanto, conforme os próprios trabalhadores, mais de 40% desses produtos não serão aproveitados por estarem segregados e acondicionados incorretamente, simplesmente porque algumas pessoas não se deram ao trabalho de separar seu lixo orgânico do reciclável. Pensando no seu papel primordial enquanto gestora, a Prefeitura de Chapecó apresentou, em fevereiro deste ano, o lançamento do Movimento Lixo Zero, com o propósito de dar o exemplo a seus cidadãos e estimulá-los a agir da mesma forma.

Em coletiva à imprensa, o prefeito Luciano Buligon assinou um Decreto, estabelecendo que, até 2020, a Prefeitura e suas secretarias municipais se tornarão efetivamente Lixo Zero e que, até 2030, a cidade de Chapecó como um todo, de forma geral e irrestrita, se tornará uma cidade Lixo Zero. “Cada cidadão produz, pelo menos, meio quilo de lixo por dia. Se todos nós entendermos que, além do orgânico, também produzimos resíduo reciclável e podemos dar uma destinação correta ao nosso lixo, nós teríamos uma economia, no final do ano, de R$ 5 milhões. Entretanto, o mais importante não é isso, mas sim que evitaríamos situações como alagamentos na cidade – causa dos por entupimentos de bocas de lobo por resíduos descartados incorretamente – e tantos outrassituações que, infelizmente, são corriqueiras”, reflete Buligon.

O conceito Lixo Zero consiste no máximo aproveitamento e correta destinação dos resíduos recicláveis e orgânicos. Visa a redução ou mesmo o fim do encaminhamento desses materiais para os aterros sanitários ou para a incineração. Trata-se de um movimento nacional defendendo que uma gestão Lixo Zero é aquela que não permite que ocorra a geração do lixo, que é a mistura de resíduos recicláveis, orgânicos e rejeitos. “É uma meta ética, econômica, eficiente e visionária, que envolve governo, indústria e consumidor. Chapecó já está no caminho certo, com 14 associações de catadores de materiais recicláveis e 179 pessoas envolvidas na coleta de resíduos sólidos urbanos. Cabe a cada um se perguntar sobre os resultados das suas ações sobre essa cadeia”, questiona o presidente do Instituto Lixo Zero Brasil, Rodrigo Sabatini.

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Dentre a carta de princípios do Lixo Zero Chapecó, encontram-se os seguintes itens:

* Garantir que os padrões de desempenho social, ambiental e econômico sejam obtidos simultaneamente, implementando políticas de sustentabilidade, informando trabalhadores, clientes e comunidade sobre o ciclo de vida e os impactos ambientais da produção, produtos ou serviços.

* Aplicar o princípio da precaução antes de introduzir no vos produtos e processos, a fim de evitar que produtos e práticas gerem desperdício ou resíduos tóxicos.

* Desviar de aterro mais de 90% dos resíduos sólidos que são gerados nas operações da organização, não depositando mais de 10% neste destino final.

* Assumir a responsabilidade financeira e/ou física por todos os produtos e embalagens produzidos e/ou comercializados, sob a(s) marca(s) corporativa(s) e exigir que os fornecedores também o façam.

* Utilizar produtos ou matérias-primas reutilizados, reciclados ou compostados em todos os aspectos das operações, incluindo instalações de produção, escritórios e na construção de novas instalações.

* Eliminar o uso de produtos tóxicos bioacumulativos ou poluentes orgânicos persistentes (POP), ou outros produtos químicos tóxicos ou sem viabilidade técnica para reciclagem. Eliminar os riscos de saúde e segurança ambiental para os empregados e as comunidades onde a empresa atua.

No processo de conscientização, o Movimento Lixo Zero busca envolver as organizações e difundir estes quatro princípios:

Repensar Acabar com a ideia de que resíduos são sujos. Não descartar no lixo comum materiais que poderiam ser reciclados.

Reutilizar Diversos objetos e materiais podem ser utilizados de outra maneira antes de serem encaminhados para a reciclagem. Por exemplo, pode-se usar os dois lados das folhas de papel.

Reduzir Gerar o mínimo possível de lixo. Ao invés de lixeiras, usar residuários e contêineres para acomodar os materiais.

Reciclar Aproveitar a matéria-prima do resíduo para reproduzir o mesmo ou fabricar outro tipo de produto, sem encaminhá-lo para aterros.

Sobre o autor

Carol Bonamigo

Carol Bonamigo

Jornalista, pós-graduada em Cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app pra organizar todas as séries que assiste.

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