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Hormônios em fúria

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Mudanças de humor e comportamento são comuns na vida humana. Entretanto, em alguns momentos específicos, o nosso organismo é responsável pela bagunça.

Pelos surgem, voz engrossa, glândulas ficam mais salientes. De repente, meninos são atraentes e aquela garota dar “oi” no corredor faz o coração bater mais rápido e as mãos suarem. Com a chegada da adolescência, a confusão não se instala apenas na nossa cabeça, mas também em nossos corpos. “A puberdade é o período em que meninos e meninas passam por um processo de maturação sexual. Envolve uma série de estágios que levam à aquisição da fertilidade e desenvolvimento do que chamamos de características sexuais secundárias. Além de mudanças biológicas e físicas, o processo pode ter um efeito psicossocial e emocional no adolescente”, explica o urologista Paulo Fernando Caldas.

Nos garotos esse período ocorre, geralmente, entre 12 e 16 anos e as principais mudanças ocorrem devido à elevação do hormônio sexual chamado testosterona. Enquanto nas meninas o processo inicia mais precoce, entre os oito e 13 anos. Por marcar o início da fase reprodutiva da mulher, este é um momento em que os hormônios estão a flor da pele, onde é preciso lidar com diferentes sintomas, sentimentos, tornar-se mulher, mas ainda ser criança e se responsabilizar pelo seu próprio corpo. “Cada vez mais adolescentes têm buscado ou tem ido a consultórios ginecológicos levadas por suas mães ou por conta própria para buscar informações e lidar com todas estas transformações, e isto é importantíssimo. Não se trata de estimular o início das atividades sexuais, mas sim de mostrar para esta menina-mulher o quanto seu corpo é importante, valioso, o quanto precisa de cuidados e que ela tem com quem contar quando estiver com dúvidas, evitando informações de senso comum ou medicalização por conta”, esclarece a ginecologista e obstetra Fernanda Piovezana Giacomazzi.

“A PUBERDADE […] ENVOLVE UMA SÉRIE DE ESTÁGIOS QUE LEVAM À AQUISIÇÃO DA FERTILIDADE E DESENVOLVIMENTO DO QUE CHAMAMOS DE CARACTERÍSTICAS SEXUAIS SECUNDÁRIAS. ALÉM DE MUDANÇAS BIOLÓGICAS E FÍSICAS, O PROCESSO PODE TER UM EFEITO PSICOSSOCIAL E EMOCIONAL NO ADOLESCENTE”

Hormônios em baixa

Mas não é só de tesão acumulado e ereções espontâneas que a vida é feita. Conforme a idade avança, as rugas começam a aparecer, surgem os cabelos brancos, algumas partes do corpo – antes firmes – parecem cada vez mais reféns da gravidade e, claro, os hormônios não ficam de fora da festa. No caso da mulher, a puberdade e a menopausa são momentos bastante distintos, porém, o que trazem em comum, é que estes acontecimentos marcam muito a vida reprodutiva, física e também emocional. “Apesar de ser uma fase fisiológica do organismo, que toda mulher chegará um dia, esse marco traz mudanças também psicológicas que, muitas vezes, afetam o relacionamento com o parceiro, seu trabalho, sua aceitação do corpo, entre outros. A melhor maneira de lidar com tudo isso é conhecer seu próprio corpo, permanecer atenta às mudanças e se amar cada dia mais, se aceitar”, informa Dra. Fernanda. Conforme a médica, na medida que os sintomas vão aparecendo é importante procurar as diversas maneiras capazes de controlá-los, desde alimentação saudável, atividade física, ingesta hídrica adequada e, em muitos casos, buscar atendimento de uma equipe multidisciplinar, como nutricionista, ginecologista e psicólogo. “Nem todas as mulheres que estão no período de modificação hormonal, também chamado de climatério, ou mesmo após a menopausa em si, precisarão de medicamentos e reposição hormonal.

Quanto mais fisiológica for a transição, menor o risco de medicações desnecessárias. A intenção é tratarmos a mulher e seus sintomas, não os exames laboratoriais”, conclui. Já os homens, nem todos apresentam deficiência hormonal conforme envelhecem. O que pode ocorrer é uma diminuição da produção de testosterona – em geral, em torno de 12% a cada década de vida. Popularmente conhecida como andropausa, a Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM) é o conjunto de sinais e sintomas decorrentes da diminuição da concentração de testosterona no homem. Estudos apontam que apenas cerca de 20% deles terão a queda do hormônio após os 40 anos. “O DAEM, normalmente, leva a uma diminuição da qualidade de vida, por vezes, de forma muito significativa. Pacientes que apresentam quadro sugestivo de DAEM devem realizar avaliação médica, uma vez que seu tratamento, em geral, melhora qualidade de vida em termos físicos, emocionais e sexuais”, orienta Dr. Paulo. Vale lembrar que, em ambos os casos, corrigir fatores como obesidade, sedentarismo, tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, elevação das gorduras no sangue, excesso de álcool e estresse, são pilares fundamentais para a prevenção de outras doenças e para a manutenção de um estilo de vida saudável, tanto no aspecto físico e mental, quanto no sexual. Ou seja, cuidar de si mesmo. “Não sinta vergonha do seu corpo e de procurar ajuda quando achar que algo não está indo bem ou como era antes. Consulte seu médico e tire suas dúvidas a respeito”, indica a ginecologista.

 

 

Sobre o autor

Carol Bonamigo

Carol Bonamigo

Jornalista, pós-graduada em Cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app pra organizar todas as séries que assiste.

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