CULTURA E VARIEDADES

Fim de Mundo

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Recusam visitar nossos museus. Futuro distópico ou presente em decomposição? Não importa. Não há palavras que sobreponham a experiência de Bacurau. Sossegue quanto à spoilers, mas precisamos discutir. Um reduto de sociedade no meio do mundo. Onde o sol nasce mais cedo. Um lugar perseguido pela sede, mas munido do poder da comunidade. Mesmo isolado e fora do mapa, o cerne do Brasil persiste a política de extermínio deliberado.

A violência está em todo lugar, mas não precisamos ir a Bacurau para concebermos um local cercado de morte. Está acontecendo agora e em todo lugar. Parafraseando Planeta Fome, o último álbum de Elza Soares, “não tem bala perdida, tem seu nome, é bala autografada”. Admito não ser meu local de fala, mas a cor clara da pele não te faz menos brasileiro ou superior. É, no mínimo, falta de consciência nascer na América Latina, renegá-la e se auto afirmar ‘europeu’ – validando um discurso racista. Pior que isso, é não ficar minimamente abalado quando denominado de tal. Nossa história precisa de atenção.

É uma questão de descolonizar o olhar. Menos patriota dizendo ‘eu te amo’ para norte-americano e mais arte popular brasileira que questiona e reafirma o lugar do povo. Mais Bacurau. Faltam-nos pílulas de psicotrópico. Coragem e união.

 

Fabrício Rangel é estudante de Design e ilustrador. Escreve sobre cinema desde 2017. Um pouco baixo para um Stormtrooper

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Flash Vip

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Revista catarinense com foco em cultura, comportamento, variedades e o que mais for pautado pelo cotidiano.

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