SAÚDE E BEM-ESTAR

Distúrbios do Sono

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Frequência em noites mal dormidas pode ser sinal de alerta.

Rodrigo Kohler – CRM 13278 – Médico Otorrinolaringologista, especialista em Medicina do Sono.

Como médico especialista do sono, muitas vezes me perguntam se tenho problemas pra dormir. E minha resposta vem sem demora: “todos podemos um dia ter, mas para ter um distúrbio do sono existe uma diferença”. Essa resposta, que uma querida professora me deu uma vez, de maneira simples representa algo importante. Claro que todos temos momentos na vida onde nosso sono pode ser atrapalhado por alguns fatores (estresse, luto, barulho, etc.), o que nos impacta momentaneamente. O problema maior surge quando o quadro se arrasta.

A insônia, quando doença, é um distúrbio do sono com diversas causas, porém, afetando de forma impactante em todos os casos. O quadro se manifesta quando, mesmo tendo a oportunidade de dormir, por pelo menos três dias da semana, a pessoa apresenta dificuldade em adormecer ou manter o sono, ou tem um sono de má qualidade. Além disso, apresenta algum sintoma durante o dia, tais como: fadiga, dificuldade na concentração ou atenção, prejuízo no desempenho social ou profissional, diminuição da energia.

Dependendo a região, um terço da população pode sofrer de insônia. São mais vulneráveis as mulheres, idosos ou pessoas com histórico próprio ou na família de insônia. E muitas vezes os quadros iniciam após episódios de violência, morte de pessoa próxima, doenças ou hospitalizações, desemprego, separação ou problemas familiares.

Quando se torna crônica, a insônia, além de irritabilidade e fadiga, pode estar relacionada com obesidade, baixa imunidade, envelhecimento precoce, depressão, Hipertensão Arterial, Diabetes, e inclusive maior risco de morte. Sabe-se atualmente que quem dorme menos, morre mais cedo. Pessoas que dormem menos de seis horas por dia, especialmente se associado à insônia, têm maior mortalidade e risco cardiovascular.

Outra coisa que preocupa é o fato de que pacientes insones chegam para uma avaliação específica do sono depois de muitas consultas, com uso de medicamentos diversos (inclusive alguns com probabilidade de criar dependência) e desencorajados com tratamento. O tratamento, muitas vezes, passa por uso de medicação, mas também se apoia em terapias comportamentais e abordagem multidisciplinar. Algumas dicas são sempre válidas, tais como: evitar próximo ao horário de dormir substâncias estimulantes (café, refrigerantes com cafeína, chimarrão, chá verde, entre outros), exercícios físicos, uso de eletrônicos ou comer em grande quantidade.

Mas, por fim, não espere sentir o efeito de não dormir bem ou suas complicações surgirem para procurar auxílio. Procure um médico especialista quando notar dificuldade em iniciar, manter ou sentir um sono não revigorante. Evite uso crônico de medicações para sono sem acompanhamento adequado. Afinal, às vezes precisamos reaprender as coisas que antes pareciam as mais simples, como dormir.

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