CULTURA E VARIEDADES DESTAQUE

Digital + analógico

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Jogos digitais ou analógicos? Como alguém que passou boa parte da infância em frente a videogames e, já adulto, se apaixonou pelos jogos de tabuleiro, considero a comparação tão injusta quanto comparar livro e filme. Formatos e experiências essencialmente diferentes não deveriam ser avaliadas pelos mesmos critérios. Entretanto, é justificável as argumentações, sejam dos nostálgicos defensores do analógico ou dos entusiastas digitais. De um lado, o toque dos componentes e a interação e socialização ao redor da mesa que só um jogo analógico propõe; do outro as infinitas possibilidades narrativas e o conforto de se deixar guiar pela tecnologia.

Por que não ter o melhor dos dois universos? Na verdade, já temos. Desde 2015, títulos de jogos de tabuleiro que utilizam recursos digitais começaram a chegar ao Brasil. De lá para cá, a tendência de mais lançamentos do estilo parece se confirmar com o sucesso dos precursores. Em Mansions of Madness: Second Edition, por exemplo, os jogadores assumem o papel de um grupo de investigadores que entram em uma mansão misteriosa e repleta de horrores do universo de Cthulhu Mythos, de H. P. Lovecraft. Conforme tomam decisões e exploram a casa representada por um tabuleiro modular, miniaturas e componentes de acabamento impecável, os jogadores são guiados por eventos rodados em um aplicativo do jogo que pode ser baixado na plataforma Steam. O app, apesar de simples, aprofunda a imersão no jogo por meio de trilha sonora e uma rejogabilidade praticamente infinita.

Conforme evolui no jogo, você pode comprar novas expansões e personagens que são configuradas no início de cada partida. Além disso, o app permite uma interação incrível com os puzzles que cada história exige dos jogadores, reforçando o clima de tensão proposta pela temática do jogo. Mansions of Madness: Second Edition é uma ótima amostra do que a união de analógico e digital pode gerar se orientada a criar uma experiência única de jogo. Mas não é todo perfil de grupo que irá curtir o estilo. Até então, jogos com recursos digitais costumam ser o que chamamos heavy games: partidas de duração mais longa e com uma curva de aprendizagem um pouco maior, embora nesse ponto a tecnologia consiga contribuir diminuindo a margem de erros de uma partida. Seja ã dos digitais ou analógicos, vivenciar a junção desses dois mundos é algo que você não pode deixar de fazer. Vai por mim!

Pablo Eduardo Frandoloso Publicitário, mestre em Design, co-fundador do Sótão Boardgame Club e Power Ranger nas horas vagas.

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