DESTAQUE MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE

Canteiro de obras

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Buscando soluções ambientais para a construção civil, os green buildings surgem como práticas sustentáveis para a execução e operação das obras, gerando benefícios econômicos e o bem-estar social.

Extração de matéria prima da natureza, produção de materiais, construção de edificações. Esses são apenas alguns dos inúmeros processos que requerem para a construção civil. Inegavelmente um dos setores fundamentais na economia brasileira – empregando cerca de 13 milhões de pessoas, considerando empregos formais, informais e indiretos – é também um dos mais perigosos para a preservação do planeta.

O Conselho Internacional da Construção (CIB) aponta hoje como o setor de atividades humanas que mais consome recursos naturais e utiliza energia de forma intensiva, gerando consideráveis impactos ambientais. De acordo com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Arquitetura (IBDA), aproximadamente 35% de todos os materiais extraídos da natureza anualmente em solo nacional são usados pela construção civil. Além disso, mais de 50% de toda a energia produzida no Brasil é utilizada para abastecer nossas casas e condomínios.

Na construção civil, além dos impactos relacionados ao consumo de matéria e energia, há aqueles associados à geração de resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, mais de 50% dos resíduos sólidos originados do conjunto das atividades humanas são provenientes da construção. Tais aspectos, somados à qualidade de vida que o ambiente construído proporciona, sintetizam as relações entre construção e meio ambiente. Estima-se internacionalmente que entre 40% e 75% dos recursos naturais existentes são consumidos por esse setor, resultando assim em uma enorme quantidade de resíduos. Só no Brasil, a construção é responsável por cerca de 25% do total de resíduos da indústria. Segundo a UnEP (United Nations Environment Programme), as edificações respondem por 40% do consumo global de energia e por até 30% das emissões globais de gases de efeito estufa (gEEs) relacionadas ao consumo energético.

Na busca de minimizar os impactos ambientais provocados pelo setor, surge o paradigma da Construção Sustentável. No âmbito da Agenda 21 para a Construção Sustentável em Países em Desenvolvimento, ela é definida como: “um processo holístico que aspira a restauração e manutenção da harmonia entre os ambientes natural e construído, e a criação de assentamentos que afirmam a dignidade humana e encorajem a equidade econômica”. Para o Ministério do Meio Ambiente, no contexto do desenvolvimento sustentável, o conceito transcende a sustentabilidade ambiental, para abraçar a sustentabilidade econômica e social, que enfatiza a adição de valor à qualidade de vida dos indivíduos e das comunidades.

Piscina

 

Construção sustentável

O conceito da construção sustentável pode ser aplicado ao projeto de qualquer tipo de estrutura, indo desde pequenas casas populares até a construção de grandes prédios, como fábricas ou hospitais.

Nela, os engenheiros civis e arquitetos procuram usar tecnologias ecológicas nas obras para preservar o meio ambiente e poupar os recursos naturais. São projetos inteligentes, que aproveitam melhor as características do terreno e também da natureza, tais como iluminação solar natural para poupar o uso de lâmpadas quando a construção ficar pronta; redução da poluição, através do melhor aproveitamento dos materiais e reduzindo desperdícios; e também através do uso de ferramentas e estruturas inteligentes, como a substituição dos tradicionais andaimes de madeira pelos de metal reutilizáveis.

Definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) fazem parte da Agenda 2030 e funcionam como metas que norteiam organizações, instituições e países para desenvolverem ações e projetos que promovem a inclusão das pessoas na sociedade de forma sustentável. Entre os principais ODS que têm relação com a construção civil estão: Água e Saneamento para Todos (ODS 6), Energia (ODS7); Crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável (ODS 8); Indústria, Inovação e Infraestrutura (ODS 9); Cidades e Comunidades Sustentáveis (ODS 11); e Consumo e Produção Responsáveis (ODS 12).

Para o arquiteto, doutor em engenharia civil e professor da Unochapecó, Miguel Teixeira Gomes Pacheco, essas ações são simples, não oneram a obra e minimizam consideravelmente o impacto ambiental causado pela atividade. “A redução de consumo e desperdício de material na obra pode ser alcançado por melhores práticas de projeto e construção, investimento e uso de materiais reciclados, como a utilização de construção seca, enxuta, modular e automatizada, crescente aplicação da filosofia berço a berço no projeto de produtos. Também a redução do consumo de energia dos edifícios pode ser feita pela busca contínua de implantação de medidas de eficiência energética e implantação de sistemas de geração renovável de energia nos edifícios”, afirma.

Mas a consciência ambiental precisa vir de todos os lados. Indústria, fornecedores e consumidores. É o chamado “tripé da sustentabilidade”, que envolve o economicamente viável, o ecologicamente correto e o socialmente justo. Por mais que algumas soluções ambientais sejam mais caras, a princípio, o segredo é enxergar a longo prazo a economia que ela irá gerar. Sustentabilidade é diferente de construir um edifício com muitos materiais e equipamentos caros. “Raramente, um projeto mais sustentável é particularmente mais caro que a média do mercado. Os poucos casos em que isso acontece, tem mais a ver com um projeto de má qualidade que uma decorrência de maior sustentabilidade. Tem casos que foram mais baratos devido a um projeto mais esmerado e menor desperdício de material. Um edifício projetado para reduzir impacto ambiental, vai usar menos ar condicionado, menos água, gerar menos lixo, o que o torna mais barato ao longo do ciclo de vida operacional do edifício. Sustentabilidade pode ser o contrário: edifícios mais sustentáveis se destacam economicamente em relação à média de mercado. Nos Estados Unidos, edifícios com o sistema fotovoltaico que geram a sua própria eletricidade, vendem com um preço maior que a média do mercado e vendem mais rápido”, exemplifica Pacheco.

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Prédios verdes

É cada vez maior o número de políticas públicas em diferentes países como Inglaterra, Alemanha, Japão e China, orientadas por princípios de sustentabilidade que demandam de numerosas empresas novos materiais e processos.

Recentemente, o governo chinês definiu metas arrojadas para a expansão do número de projetos sustentáveis na construção civil. Uma das metas é que, nos próximos cinco anos, 50% de todos os edifícios urbanos novos tenham certificação verde. Para a obtenção da certificação verde uma série de compromissos com a sustentabilidade precisam ser atendidos, especialmente os referentes aos itens oito e nove do conjunto de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos em 2015 no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) e referendados por países do mundo todo.

Conforme o Sindicato da Indústria da Construção e de Artefatos de Concreto Armado do Oeste (Sinduscon), a construção civil é de natureza impactante, consumido recursos naturais e modificando paisagens nos diversos pontos que atua. “Devemos ter em conta que os impactos não significam, necessariamente, pontos negativos, pois cabe a ela dar sustentação ao crescimento e o desenvolvimento dos povos de uma maneira geral. Os impactos negativos acontecem quando não se tem uma política de condução adequada de um crescimento sustentado”, opina o presidente do Sinduscon Oeste Chapecó, Luiz Alberto Paludo.

A Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) está mudando a maneira como pensamos sobre como os edifícios e as comunidades são planejados, construídos e operados. A certificação LEED é a ferramenta de orientação ambiental para edifícios sustentáveis mais utilizada no mundo, presente em 167 países, com mais de 205.800 de metros quadrados de área certificada diariamente. O LEED é uma solução global, regional e local que fornece parâmetros para edifícios, comunidades e cidades criarem espaços saudáveis, altamente eficientes e econômicos, ao mesmo tempo que melhoram a qualidade de vida de seus ocupantes. Em fevereiro de 2018, o U.S. Green Building Council (USGBC) anunciou o Ranking Anual dos 10 Países e Regiões com o maior número de projetos LEED. A lista reconhece mercados fora dos Estados Unidos que utilizam o LEED na construção de espaços onde as pessoas possam morar, trabalhar e estudar com melhor saúde e qualidade de vida. O Brasil se manteve na 4a posição com mais de 460 empreendimentos certificados LEED, que totalizam mais de 14.8 milhões de metros quadrados certificados.

A busca por maneiras de minimizar a consequência do progresso tem gerado iniciativas em todo o mundo, afinal, os recursos naturais são finitos, uma vez que temos apenas um planeta para viver. “O fato é que construímos ainda hoje como construíamos centenas de anos atrás, modernizando um ou outro processo, mas existe uma preocupação com a industrialização dos processos construtivos e já existem empresas nacionais empenhadas nisso. Aqui em nossa região estamos buscando aproximar governo, universidades e empresas para criarmos um ambiente de desenvolvimento neste sentido, o tempo irá nos mostrar a quantas andam estes passos. Quanto a que tem sido feito para minimizar estes impactos, podemos dizer que já temos o Brasil como um dos principais países tratando dos sistemas construtivos com selo verde, ou seja, com redução de desperdícios nos processos construtivos e com a aplicação de recursos auto sustentáveis, reaproveitamento de águas, geração de energia, e muitas outras técnicas”, informa Paludo.

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Um exemplo de preocupação com os impactos gerados pelas suas obras é o Grupo Nostra Casa, que há 39 anos atua em Chapecó. A empresa possui o selo Green Building Council Brasil, pelas práticas aplicadas à responsabilidade sustentável em seus empreendimentos. “Nos últimos cinco anos, nos posicionamos mais forte na parte ambiental, especialmente no que diz respeito à desperdícios na obra e, consequentemente, na geração de resíduos. Os próprios fornecedores possuem essa consciência e, quanto menos retrabalho tivermos, menores serão os problemas que iremos causar ao meio ambiente. É uma questão de sustentabilidade ambiental e econômica. Se houver redução de lixo e desperdício, será bom não apenas para a empresa. Às vezes, essa consciência pode custar mais caro, mas existem soluções muito práticas e bem acessíveis”, explica a diretora da Construtora Nostra Casa, a arquiteta Monyk Dávi.

“QUANTO MENOS RETRABALHO TIVERMOS, MENORES SERÃO OS PROBLEMAS QUE IREMOS CAUSAR AO MEIO AMBIENTE. É UMA QUESTÃO DE SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL E ECONÔMICA.” – Monyk Dávi

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Os edifícios da construtora já são concebidos para gerar um menor impacto ambiental e minimizar custos, tanto na obra quanto, posteriormente, no condomínio. Reaproveitamento da água da chuva para utilização nas áreas comuns, jardins verticais para paisagismo e conforto térmico, sistema de aquecimento de água central e compartilhado, instalação de vidros insulados para menor incidência solar, lâmpadas de baixo consumo e acendimento automático, energia fotovoltaica são algumas das práticas de vários empreendimentos do Grupo.

Agora, com a construção do Edifício Onno, a Nostra Casa demonstra o quanto um conceito diferenciado pode, também, carregar soluções eficientes de sustentabilidade. “Cada vez mais os espaços privativos estão menores e a área comum tem que oferecer mais opções. E sempre há a vontade de alterar o apartamento para adaptá-lo ao projeto arquitetônico do gosto do cliente. Às vezes, quando a obra já está pronta, é preciso quebrar, demolir e construir novamente. Tudo isso gera custos e entulhos desnecessários, e acaba sendo um desperdício de mão de obra e materiais. Por isso pensamos em fazer o Edifício Onno com o conceito de planta aberta, para que cada proprietário possa criar o ambiente como desejar”, conta Monyk.

Tamanha ousadia e diferencial, o projeto do Onno Studio Home rendeu ao Grupo Nostra Casa o Prêmio TOP de Marketing e Vendas 2018 da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing de Santa Catarina (ADVB SC). Isso demonstra que, além dos benefícios sociais e ambientais, as construções sustentáveis são consideradas um melhor modelo de negócio no segmento imobiliário, agregando valor ao imóvel e promovendo economias nos custos operacionais das edificações. Trata-se de uma mudança de padrão necessária, na qual a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas serão as bases para que projetos sejam planejados, soluções sejam desenvolvidas e inovações sejam implementadas.

Sobre o autor

Carol Bonamigo

Carol Bonamigo

Jornalista, pós-graduada em Cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app pra organizar todas as séries que assiste.

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