MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE

Caminho de ida e volta

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Muitas vezes não nos preocupamos com nossos hábitos de consumo. Trabalhamos para melhorar nossa qualidade de vida e o consumismo nos pega através do desejo. O desejo de ter e ser mais. A última moda, o modelo mais avançado, a novidade de mercado. Em um espaço cada vez mais curto de tempo, os objetos se tornam obsoletos e defasados e, sem ao menos perceber, estamos gerando uma quantidade progressiva de resíduos. No que tange os equipamentos eletrônicos, poucas pessoas sabem como proceder quando é necessário descarta-los. Não se pode jogar no lixo comum nem destina-los à coleta seletiva. Então, o que fazer? De acordo com o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei Federal n.12.305/10, é de responsabilidade das empresas fabricantes de bens de consumo o investimento na cadeia de logística reversa. O PNRS define a logística reversa como um “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”.

Torna-se, portanto, de responsabilidade da loja ou fabricante receber este material, quando descartado pelo consumidor, para que possa dar a destinação adequada. Mas, se as pessoas nem sequer separam corretamente o lixo orgânico do reciclável, será que estão preocupadas na hora de se desfazer de seus eletrônicos? “Infelizmente, se você não está constantemente lembrando as pessoas do que eles devem fazer, elas não fazem. Forçados pela legislação, algumas administrações têm iniciativas de divulgar informações acerca deste assunto. Onde descartar pilhas, baterias e lâmpadas, por exemplo. E quando essas ações são divulgadas em forma de campanha, há um engajamento. A partir do momento que ela deixa de rodar, as coisas voltam à estaca zero”, afirma a engenheira ambiental Caroline Beutler. Para a profissional, além da pouca divulgação, falta interesse da população em se questionar sobre seus hábitos. “Se não sou afetado direta e imediatamente, não me importa. Vai passar o caminhão do lixo e isso deixa de ser problema meu.

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Na nossa cidade mesmo existem pontos de coleta para esses materiais, mas as lojas que vendem são obrigados, por lei, na teoria, a fazer a logística reversa desses produtos”, informa. De acordo com a Gerente de Resíduos Sólidos da Secretaria de Infraestrutura Urbana de Chapecó, Vanusa Maggioni, caso o consumidor possua o cupom fiscal e a empresa se recuse a receber o material para descarte, ele pode procurar a prefeitura, que fará a notificação ao fornecedor, sendo este orientado a não vender mais o produto. Mas no caso de não possuir o comprovante para solicitar a devolução ao fornecedor, o poder municipal dá outra solução. “Criamos um Ecoponto, que fica aberto diariamente, onde recebemos eletrodomésticos, eletroeletrônicos, móveis e podas de árvores. Basta trazer até aqui e não é cobrado nada. E quando não tem condições de trazer, vamos buscar, desde comprovado baixa renda. Ou seja, temos possibilidades para que seja feito corretamente”, orienta Vanusa. Entre março e dezembro de 2016, 790 itens foram coletados no Ecoponto de Chapecó. Além disso, outro espaço funciona especificamente para a coleta de pneus, iniciativa que tem ajudado também no controle dos focos do mosquito Aedes aegypti. Opções existem, basta ir atrás e querer fazer o correto.

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Um levantamento feito pela Secretaria mostra que 40% destes materiais recebidos são provenientes de poda e capina. Na sequência vêm os eletroeletrônicos que correspondem por 35% e por último os eletrodomésticos, com 19%. No espaço estão dispostos quatro containers para o recebimento dos seguintes resíduos:

  • Poda e capina (grama, galhos, poda, capina, roçada);
  • Eletroeletrônicos (computadores, notebook, celular, monitor, televisor, pilhas e baterias. Deverão estar inteiros);
  • Eletrodomésticos, metais e ferros (geladeira, fogão, máquina de lavar, micro-ondas, cadeiras de metal, estantes de metal, latas de tintas);
  • Móveis (sofá, guarda-roupas, mesa, cadeiras de madeira, colchão, tábuas. Os móveis devem estar desmontados).

Sobre o autor

Carol Bonamigo

Carol Bonamigo

Jornalista, pós-graduada em Cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app pra organizar todas as séries que assiste.

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