CULTURA E VARIEDADES

Amor sem igual

Cisco

A relação construída entre animal e ser humano.

Não é de hoje que falamos sobre o relacionamento entre humanos e seus pets. O laço de afeto criado entre os seres é algo muito puro, e o próprio mercado acaba se reinventando, para tornar cada vez mais possível (e criativo) a representação deste amor. Dados de 2013 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram que existia 132 milhões de pets no País, dos quais, 53 milhões eram cães, tornando o Brasil a quarta maior população de animais de estimação do mundo, com o terceiro maior faturamento do mercado global (segundo levantamento da empresa Euromonitor).

Com petshops dispondo de uma série de produtos específicos, clínicas, planos de saúde e até mesmo spas voltados aos pets, não é de se espantar que haja fotógrafos especializados em clicar os peludos. Foi o que a publicitária e fotógrafa Allana Pimentel visualizou ao unir a sua paixão pelos animais com as suas lentes, e o que começou como um hobby evoluiu para um negócio. “O público de sessões pet é aquele que considera o animalzinho parte da família. É como se fosse o filho. E eles querem fotos lindas e memoráveis do pet. Tudo acontece com muito respeito, calma e paciência, utilizando técnicas, principalmente para os pets não adestrados, como atraí-los com petiscos ou brinquedos”, explica a profissional. Assim como em sessões fotográficas com humanos, Allana testemunhou e registrou histórias carregadas de emoções envolvendo os bichinhos e seus tutores. “Percebendo a relação de carinho e amor entre ambos, como evoluímos a ponto de considerarmos eles parte de nossas famílias. As sessões fotográficas pets podem registrar lindos momentos do auge do animalzinho, mas também as últimas lembranças de um pet idoso. É muito gratificante saber que meus registros são memórias para uma vida toda, lembranças do pet pequeno ou de um dia de brincadeira”, reflete.

Ani, Bárbara e Maya

Ani, Bárbara e Maya

Encantada pelas fotos das redes sociais de Allana, a esteticista pet Bárbara Zart resolveu presentear a si mesma e as suas meninas (como ela mesma chama) com o ensaio fotográfico. “A sessão foi super legal, primeiro deixamos elas conhecerem o ambiente, para não ficar aquela curiosidade, e depois tudo foi acontecendo e os cliques ficaram incríveis! Tenho as fotos espalhadas pela casa toda”, conta. Ao mencionar Ani e Maya, ambas da raça yorkshire, Bárbara se emociona, tamanho amor e afinidade que compartilha com as suas filhas de quatro patas. “Ainda não tenho filhos humanos, mas o que sinto por elas é imensurável, é um amor que nem consigo explicar. É algo que só quem tem e sente, entende. A Ani me conhece só pelo olhar, sabe quando estou brava, triste, animada, com dor, ela sente tudo desde o momento em que abro a porta de casa. E sem falar que nossas personalidades são muito parecidas, uma ligação única. E a Maya já tem uma personalidade só dela, com jeitos e manias. Elas me mostram, a cada dia, que cada um é distinto do outro e precisamos respeitar essas diferenças, tanto os humanos quanto os doguinhos”, observa a tutora.

Uma visita “Cão amor”

Os animais de estimação fazem tanto por nós quanto nós por eles, senão até mais. É o que comprova o projeto Cão Amor, da Unimed Chapecó. Através de uma parceria voluntária com a Escola de Adestramento de Cães Dog Show, o hospital passou, a partir de 2017, a proporcionar visitas dos pets aos pacientes em recuperação. O programa, pioneiro em Santa Catarina, oportuniza momentos de interação cão-paciente para incentivo à mobilização física, saída do leito, estímulo cognitivo e psicológico. Apaixonada por cães, a responsável pelo projeto e diretora hospitalar, Carolina Ponzi, conta que passou por duas experiências pessoais que a fizeram constatar por meio da presença de suas duas cachorras, o tamanho do bem-estar que esses animais podem proporcionar. Além disso, diversos estudos demonstram a importância da prática, confirmando que ao ter contato com bichinhos de estimação, os pacientes reduzem o uso de analgésicos porque sentem menos dor, diminuem o cortisol que é o hormônio do estresse, além de interagirem mais, já que a prática estimula a socialização. “A cada nova visita, observamos o quanto os pacientes ficam felizes, relaxados e emocionados.

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Eles riem, interagem, abraçam e acariciam os cães. Os momentos são emocionantes para a equipe também, pois todos conhecem um pouco da história pessoal de cada um e os motivos de suas internações”, avalia dra. Carolina. Os quatro cães selecionados para o projeto frequentam a Dog Show desde seus primeiros meses de vida. A Fiona (Pug de 9 anos), a Xula (Pastor de Shetland de 10 anos), o Bono, (West Highland White Terrier de 6 anos) e o Bento (Pug de 4 anos) são os responsáveis pelos sorrisos. “Conhecia alguns projetos nesse estilo e é perceptível o bem que faz. É gratificante poder participar de uma iniciativa tão bacana. Ver a alegria dos pacientes e o carinho entre ambos me deixa muito feliz, por poder participar de alguma forma”, afirma Nuara Sabadin, tutora de Bono.

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Além disso, o banho dos pets deve ocorrer 24 horas antes da visita, é preciso atestado de boas condições de saúde emitido por um médico veterinário, estar com as imunizações e antiparasitários e anti-helmíntico em dia. “Ao chegar no hospital, eles têm as patas higienizadas e, após a visita, é feita limpeza do quarto e trocada a roupa de cama. Também orientamos pacientes e familiares sobre a higiene das mãos, visando garantir a segurança”, ressalta dra. Carolina

 

Sobre o autor

Carol Bonamigo

Carol Bonamigo

Jornalista, pós-graduada em Cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app pra organizar todas as séries que assiste.

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