CULTURA E VARIEDADES DESTAQUE

Amigos de longa data

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Os cinco fabulosos do reality ‘Queer Eye’ irão te fazer ver o mundo com novas cores.

Em meio a uma enxurrada de produções medianas do selo originais Netflix, vale citar algumas joias que podemos encontrar no serviço de streaming. Um filme bom aqui, uma série regular ali, mas produções majoritariamente esquecíveis. Neste momento propício do cenário cultural e artístico no mundo, eis que ressurge Queer Eye, um reality consagrado no começo dos anos 2000, conquista novos expectadores através do carisma, bom humor e sensibilidade. Consiste em cinco caras gays, com especialidades diferentes entre si, a ajudarem homens héteros a mudar de vida. Uma premissa banal à primeira leitura, mas o reality apresenta o FabFive de uma maneira que, de repente você tem amigos de longa data. Comida e vinho, cabelo e aparência, design de interiores, cultura e moda são as cinco áreas de conhecimento que Antoni Porowski, Jonathan Van Ness, Bobby Berk, Karamo Brown e Tan France dominam para ajudar os participantes do reality reconectarem-se às melhores versões de si.

Queer Eye tem uma importância imensa para a cultura pop. É um momento de desconstrução de padrões e de um novo entendimento sobre o papel da masculinidade na sociedade. Bem como faz o excelente documentário The Mask You Live In, o reality aborda de forma terna e tocante temas delicados como transexualidade, paternidade, família e aceitação. Em uma leitura social, é comum ouvirmos que determinado comportamento é “de mulherzinha” ou quantas vezes replicamos coisas como “homem não chora” e “não seja frouxo”. Então, toda essa repressão de sentimentos nos traz ao cenário em que vivemos. Demonstrar qualquer sentimento é sinônimo de fraqueza, mas quem definiu esses padrões tóxicos para qualquer relacionamento interpessoal?

Esse afastamento empático gera um ciclo vicioso. Masculinidade tóxica gera pessoas vazias e vice-versa. Tá tudo bem chorar e se emocionar, inclusive com Queer Eye você vai fazer isso inúmeras vezes. São com histórias de pessoas extraordinárias que entendemos o quão conectados somos e o quão mais tolerantes e empáticos precisamos ser, aceitar diferenças é construir pessoas fortes. A geração desconstruída ainda está por vir, somos o meio da estrada de tijolos dourados até Oz. Então dobra essa manga da camiseta e encare o mundo de peito aberto, sem preconceito e mais livre de qualquer padrão que te impeça de ser quem és.

Fabricio Rangel Estudante de Design e ilustrador. Escreve sobre cinema desde 2017.

Sobre o autor

Flash Vip

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Revista catarinense com foco em cultura, comportamento, variedades e o que mais for pautado pelo cotidiano.

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