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Meia Entrada: A Maldição da Residência Hill

hill house

A série da Netflix nos entrega algo muito mais aterrorizante que fantasmas escondidos, o medo de viver.

Entre o passado e o presente, uma família dividida confronta memórias assustadoras do antigo lar e dos eventos aterrorizantes que os expulsaram de lá”. Essa é a sinopse oferecida na Netflix sobre a série A Maldição da Residência Hill. A terceira adaptação do livro de Shirley Jackson, A Assombração da Casa da Colina, publicado originalmente em 1953, estreou em outubro de 2018 e só teve elogios aos seus 10 episódios. Dirigido por Mike Flanagan, a produção possui uma narrativa não-linear e uma fotografia fria que completa a sua atmosfera sombria.

Apesar de ser uma história de terror, não tem em sua escapatória o susto gratuito (creio que só tive um susto ao longo de toda a temporada), mas mesmo assim é quase impossível manter-se imparcial à tensão criada. As idas e vindas entre a história de cada um dos membros de uma família que se quebrou de forma quase irreparável, vendo os encarar seus demônios internos enquanto tentam superar o que aconteceu naquela fatídica noite em que deixaram a casa repleta de presença sobrenatural, faz o seu coração se partir um pouco por cada um deles.

Isso porque seus medos, seus erros, seus orgulhos, são todos tão fáceis de nos relacionar de alguma forma. Principalmente quando percebe-se que de nada adiantou eles terem saído da mansão, ainda quando crianças, se na verdade nunca se livraram das suas sombras e nunca sequer realmente viveram. Não por inteiro. É como dizer que não podemos fugir de nossos problemas. Estou tentando permanecer vaga ao descrever a série, afinal, verdade seja dita, quanto menos se souber sobre a Residência Hill antes de assistir, melhor. Então não vamos nos ater aos acontecimentos que fazem essa série ser tão interessante, pois convenhamos, eles são apenas parte da trama.

Na obra original os Crains têm três filhos. Na versão da Netflix foram acrescentados dois personagens à prole, Shirley e Stephen, em homenagem a autora da obra Shirley Jackson e o mestre do terror Stephen King.

Na obra original os Crains têm três filhos. Na versão da Netflix foram acrescentados dois personagens à prole, Shirley e Stephen, em homenagem a autora
da obra Shirley Jackson e o mestre do terror Stephen King.

A edição e direção de arte também são muito boas, nos auxiliando a transitar entre o passado e o presente sem confusão. Mas o grande trunfo desta produção se deve pelas incríveis atuações, tanto do elenco adulto quanto infantil, que nos faz criar empatia pela família disfuncional e sentir cada devastadora emoção junto com eles.

Certa vez li que o terror é o melhor gênero para expor a condição humana, e não poderia concordar mais. Pois é quando se  está em total desespero e sem perspectiva de saída que se mostra do que realmente é capaz, tanto para o bem quanto para o mal.

Sobre o autor

Carol Bonamigo

Carol Bonamigo

Jornalista, pós-graduada em Cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app pra organizar todas as séries que assiste.

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