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A força do matriarcado

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À Frente de uma das empresas mais tradicionais de Chapecó, Roze Dávi é um exemplo de como seguir adiante perante os percalços da vida. Em uma conversa com a FV, a Diretora do Grupo Nostra Casa falou sobre a importância da contribuição social na construção de uma cidade.

Flash VIP. Em 2019, a Nostra Casa irá completar 40 anos de atividade. Podemos dizer, sem medo de parecer exagero, que a empresa contribuiu com o crescimento de Chapecó?

ROZE DÁVI. Temos ótimas construtoras e imobiliárias em Chapecó que, com certeza, contribuíram para a construção e expansão do município. Nos últimos 40 anos, a cidade cresceu muito, principalmente na área da construção civil. E temos muito orgulho de poder dizer que também participação nesse crescimento.

FV. O Grupo possui uma gestão familiar e sempre teve uma forte atuação na parte social do município, como o caso da doação da ala de fisioterapia do Hospital da Criança de Chapecó. Como a senhora avalia a importância em empresas e entidades se mobilizarem em prol do bem-estar social?

RD. A Nostra Casa sempre teve essa maneira de pensar e agir. No caso do Hospital da Criança, nós equipamos toda a sala de fisioterapia e a intenção era permanecer anônimos, como sempre fizemos. Nunca quisemos usar essas ações como marketing, pensando na responsabilidade social que temos. A inauguração da sala estava programada para setembro de 2016 e acabou atrasando. E então aconteceu o acidente, no final de novembro daquele ano. E a direção do Hospital nos pediu se poderia dar o nome da sala em homenagem ao Daví (Daví Barella Dávi, presidente do Grupo Nostra Casa, falecido no acidente do voo da Chapecoense, em 28 de novembro de 2016). Então é por isso que o nome acabou aparecendo, embora nunca tenha sido a intenção.

FV. Outro exemplo de contribuição para o bem-estar social é a adoção de praças e canteiros da cidade, com investimentos em revitalização, através do programa Chapecó Mais Bonita.

RD. Isso já era uma ideia antiga do Daví. Tanto que, no dia que ele faleceu, a paisagista estava na cidade para ter uma reunião com ele, no final daquela semana (faz uma pausa, emocionada). Então, essa ideia de colaborar com o embelezamento da cidade através da revitalização dos espaços públicos é um projeto antigo. É tão bom ir a um lugar bonito, bem cuidado, onde nos sentimos bem e valorizados enquanto cidadãos. Tenho notado que esses espaços ficam com uma energia muito boa. As pessoas aproveitam para passear, sentar, tomar um chimarrão, conversar. É uma forma de contribuir não apenas com o embelezamento da cidade, mas com o bem- -estar da população. O Átrio (construído ao lado da Arena Condá), por exemplo, é um lugar que não ficou fúnebre. Ficou um espaço de homenagem, mas de uma maneira leve. Inclusive, uma vez estava passando em frente ao local e um repórter do Japão me parou para uma entrevista, pedindo o que a Arena Condá representava para mim e como eu achava que o Brasil se sairia na Copa do Mundo. Respondi que representava momentos bons e ruins, e acabei me emocionando. Ele ficou curioso e questionou por que eu estava chorando. E expliquei que meu marido era um dos dirigentes que faleceu no acidente e que a nossa empresa tinha construído o Átrio. Então ele me disse que, quando entrou no local, ele se sentiu flutuar, pois emanava uma energia muito boa. Percebemos que traz algo bom inclusive para as pessoas que não têm tanto contato com o que aconteceu. E isso é sentido porque foi feito com muito amor. Não apenas por nós, mas por todas as pessoas que participaram da obra. Era fim de ano, e mesmo assim todos os colaboradores se dispuseram a trabalhar muito além das horas previstas, pois eles queriam participar daquela homenagem. Então não foi apenas a gratificação em fazer essa doação, mas o prazer em sentir a doação de todos que ajudaram com tanto carinho.

FV. E com certeza, ficou uma linda homenagem. Essa ligação da sua família com a Chapecoense sempre foi muito forte e permanecerá eternamente.

RD. Certamente. A frase que está no Átrio, que o Daví sempre dizia, “se existe uma palavra mais forte que bairrismo, essa me define em relação a Chapecó e a Chapecoense”. Ele sempre acreditou muito no desenvolvimento tanto da cidade quanto do time. Mesmo quando a Chapecoense não tinha Série nenhuma. Tanto que nunca quisemos investir em outros lugares. Ele acreditou e contribuiu muito, como várias outras pessoas da cidade. Felizmente, Chapecó teve muitas pessoas que pensaram dessa forma também. Nossa família e nossa empresa fizeram parte disse, mas outros também, e isso nos deixa muito felizes, porque temos certeza que não irá parar por aí.

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A PRAÇA EMÍLIO ZANDAVALLI possui um espaço de 3.450m², onde a Nostra Casa prevê um investimento inicial de R$ 100 mil para a revitalização. Inspirada em manter a sua essência, de acordo com a coordenadora do projeto, Monyk Dávi, a revitalização prevê intervenções no playground, banheiros acessíveis, calçadas, mobiliário, criada uma minipista de patinação e um labirinto. A empresa adotou a praça, a princípio, por cinco anos, portanto neste período a manutenção e conservação são feitas com recursos da empresa e sem isenção ou incentivo fiscal!

nomes gravados na fonte

 

O ÁTRIO DAVÍ BARELA DÁVI é um exemplo de que uma cidade é construída por todos, com união, atitude e boas ideias. Este projeto foi realizado através do Programa Chapecó Mais Bonita, instituído por Lei Municipal. O Programa visa compartilhar com a comunidade a construção, reforma, conservação ou manutenção de praças, canteiros, áreas verdes, monumentos, entre outros espaços públicos. A Lei ganhou vida com o pedido do Grupo Nostra Casa para adotar este espaço ao lado da Arena Condá com o objetivo de revitalizar a área de 1.286m², eternizando os guerreiros da Associação Chapecoense de Futebol, vitimados no acidente aéreo de novembro de 2016.

 

 

 

Sobre o autor

Carol Bonamigo

Carol Bonamigo

Jornalista, pós-graduada em Cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app pra organizar todas as séries que assiste.

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